AS BRUXAS DE SALEM de nicholas hytner
se mantém a força do texto alegórico de arthur miller. daniel day lewis e paul scofield seguram o filme. 5.
POR AMOR OU POR DINHEIRO de bertrand blier
blier sempre faz filmes que procuram fugir do padrão. não se tratam de comédias, nem dramas, sequer aventuras ou alegorias. este é uma quase comédia. sem graça. 1.
O MENSAGEIRO DO DIABO de charles laughton
para quem não sabe, laughton foi um dos maiores e mais conhecidos atores ingleses de cinema. gordo, com cara de sapo, gay assumido, brilhou como rembrandt, como henrique viii e em filmes de hitchcock e wilder. este filme, de 1955, foi o único dirigido por ele. é considerado uma obra-prima e foi fracasso de crítica e público na época. fácil entender o porque : trata-se de uma comédia gótica afiadíssima! um filme que tim burton ou david lynch adorariam ter feito. a história trata de um pastor que se casa com viúva. comete o assassinato para ficar com o dinheiro. os dois filhos da viúva conseguem fugir e ele os persegue. isso tudo contado em clima de sonho/pesadelo, sombras expressionistas, cortes precisos e um robert mitchum perto do milagroso ( seu papel se tornou referencia ). na parte final, quando as crianças encontram a velhinha boazinha ( lilian gish ), voce quase tem um orgasmo de tanto prazer em estar vendo tal obra-prima. DEZ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
A EMBRIAGUEZ DO SUCESSO de alexander mackendridk
filme de 1958, dirigido por um grande diretor ingles de comédias e que dirige aqui, nos eua, seu único drama. fracasso na época ( de público ), traz burt lancaster em mais um grande desempenho, com seu rosto de pedra pleno de autoridade e força viril. mas é tony curtis, o subestimado curtis quem rouba o filme, fazendo um vilão patético e mesquinho. o filme ( cheio de jazz e clima cool ) trata de um jornalista que domina carreiras com suas fofocas. curtis é o auxiliar puxa-saco desse poderoso homem de midia. o filme, cheio de fel e com falas exuberantes, mostra a derrocada dessa carreira e a inexorabilidade de seus destinos. cínico, amargo, brilhante! 9.
RICARDO III, UM ENSAIO
única doreção de al pacino. obrigatório para quem trabalha com teatro ou ama a cultura. 7.
O DESTINO BATE A SUA PORTA de bob rafelson
rafelson, diretor de head e cada um vive como quer, dirigiu este new-noir em 1982, usando jack nicholson e uma jessica lange cheia de sexualidade vulgar. se trata de um bonito filme que não tem aquilo que os noir clássicos tinham de melhor- nervos! mesmo assim é fácil de assistir, lange está maravilhosa e o choro final de jack é coisa que justifica uma carreira inteira. 6.
BEIJOS E TIROS de shane black
primeira direção do roteirista dos filmes lethal weapon. robert downey é um ladrãozinho de quinta que vira ator em ´hollywood ( é uma comédia ). val kilmer ( bem ) é um detetive gay e a lindíssoma michelle monaghan está no elenco. o filme é ágil, alegre, os capítulos têm nomes de títulos dos livros de chandler..mas falta loucura. os coen fariam dele uma festa! como está, é apenas um divertido produto meio termo. 6.
RESGATE ABAIXO DE ZERO de frank marshall
marshall, roteirista e produtor de vários filmes de spielberg, nos apresenta uma aventura antártica. para quem gosta de cães ( eu os idolatro ), é obrigatório. como cinema, é sessão da tarde das boas. 7.
FILMES PSICODÉLICOS FEITOS EM PLENA VIAGEM PSICO
PARTNER de bernardo bertolucci.
em 1968 bertolucci resolveu filmar partner, baseado numa novela de dostoievski. mas, em meio as filmagens explodiu o maio/68 e bernardo jogou o roteiro fora e passou a improvisar. o filme, fascinante, mistura lacan com nietzsche e tem uma trilha sonora de ennio morricone que é absolutamente genial e radical. pierre clementi, ator francês que era viciado em heroína, tem uma das atuações mais maníacas, inesquecíveis, originais, revolucionárias que já ví. ele apresenta completo domínio do corpo, total entrega e uma quase loucura digna de klaus kinski, bruno s ou falconetti. o filme fala de máscaras, de duplos, do quanto nós todos somos fingidos e de alienação. uma quase obra-prima e o mais difícl filme de um cineasta que jamais se acomodou. 8.
PERFORMANCE de donald cammel.
filme maldito feito em 1970. cammel, que se suicidaria em 78, filma em londres, a história de um gangster ( james fox ) que se esconde na casa de um astro do rock ( mick jagger ). nessa casa, o gangster prova sexo, drogas e muito rock e se torna um jagger também ( ou não ? ). o filme, que ainda tem anita pallemberg ( ex- brian, na época esposa de keith ) num papel de junk-bissexual, é absolutamente fascinante e muito inspirador. aqui é criado o conceito de glam-rock e se voce quer saber o que velvet goldmine tentou mostrar veja este filme radical. mick era incrivelmente magro, efeminado, drogado e o filme é hipnótico, macio, colorido e nem um pouco paz e amor. único, ele é aquilo que bergman faria se fosse mais jovem e ingles. 9.
PSYCH OUT de richard rush
jack nicholson tem muita história pra contar. ele está neste filme de 68, feito em san francisco, no auge do movimento hippie. uma moça foge de casa e vai parar em sanfran. conhece os hippies e passa a viver com eles. o filme é fraco, amador, constrangedor, e jack usa um péssimo cabelo. mas tem um clip fantástico dos inacreditáveis the seeds e mostra o que eram os tais hippies. o que eles eram ? drogados classe-média deslumbrados com sexo. comparando este filme com performance vemos que londres nos 60 era mais lsd, mais reichiana, mais individualista, mais psicótica. sua trilha era pink floyd, soft machine e gong. sanfran é mais alegre, comunitária, machista, mais anfetaminas e marijuana, mais byrds, grateful dead e love. hippies americanos se interessavam em sexo, festas e protestos de rua. hippies ingleses queriam saber até onde se cérebro conseguiria enlouquecer. o filme vale como puro fun. 5.
BARBARELLA de roger vadim
e vadim, inventor de brigitte bardot, tenta lançar jane fonda como nova bb. jane está absolutamente linda e anita pallemberg é a vi´lã. psicodelismo para os não psicodélicos, o filme mostra que em dois anos o movimento já se tornara um produto bonitinho e anódino. 4.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
domingo, 14 de setembro de 2008
pra que serve will shakespeare
Assistindo o filme de Pacino sobre Shakespeare ( Ricardo iii, um ensaio ), noto que entre belos depoimentos de gente como Vanessa Redgrave, John Gielgud, Kenneth Branagh; ou entre os desempenhos de Pacino, Kevin Spacey, Winona Ryder, Alec Baldwin; nada é mais claro ou brilhante que o depoimento de um negro do Harlem. Ele diz que Shakespeare nos ensina a sentir. Que se sentimos a morte de um camarada, o remorso de uma má ação, deixamos de fazer uma má ação. Shakespeare então nos mostra o quanto o Homem pode ser grande. Pode ser nobre, vil, apaixonado e apaixonante. A tragédia de nossa época é o fato de que por falarmos uma pobre linguagem, vivemos uma pobre existência.
Dizemos que a vida é vazia e não que " ela é um sonho sonhado por um louco ", ficamos com alguém, não " amamos como as estrelas amam o sol que as apaga "...
Shakespeare é a maior jóia do tardio renascimento, filho da filosofia de Sêneca, criador do Humano tal como o conhecemos, um gigante entre gigantes e o maior sábio a ter pisado um dia este planeta.
Ele justifica, sózinho, a existência da língua inglêsa, a sobrevivência do teatro e toda ação do homem sobre a Terra. Foi a culminância de uma inteligência brotada em Roma, fertilizada em Paris e Oxford e colhida sob o reinado de Elizabeth.
Viverá enquanto algo parecido com civilização viver.
Dizemos que a vida é vazia e não que " ela é um sonho sonhado por um louco ", ficamos com alguém, não " amamos como as estrelas amam o sol que as apaga "...
Shakespeare é a maior jóia do tardio renascimento, filho da filosofia de Sêneca, criador do Humano tal como o conhecemos, um gigante entre gigantes e o maior sábio a ter pisado um dia este planeta.
Ele justifica, sózinho, a existência da língua inglêsa, a sobrevivência do teatro e toda ação do homem sobre a Terra. Foi a culminância de uma inteligência brotada em Roma, fertilizada em Paris e Oxford e colhida sob o reinado de Elizabeth.
Viverá enquanto algo parecido com civilização viver.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
para um amigo
Nem tudo se resume ao pib.
Portugal é um país feito de Paratis, Ouros-Pretos e Búzios.
Habitado por Saramagos, Pessoas e Eças.
Pacato. Confiável. Eterno.
Fácil de negociar, pois é previsível. Preso aos primos da Comunidade. Cheio de aposentados alemães, suecos e ingleses.
Não há nada grande como SP. Tudo lá é pequeno, discreto, reservado, e muito orgulhoso. Sem grandes riquesas, sem grandes misérias, sem grandes problemas, sem qualquer medo. Parati, não é ?
Consomem muito livro, muito museu, muito teatro.
Ainda lembram de Bertolucci e de Cocteau. Não apreciam a América e se envergonham do Brasil. ( Só se fala do Brasil quando um filho mata o pai, dos travestís e das drogas no morro ).
Não importa o pib. Só importa para candidato a eleição, para economista banal e para capitalista deslumbrado.
Importa olhar e ver, escutar e ouvir, comer e saborear.
E em Portugal, o resto é sempre mar...
PS. Detesto o Lobão
Mas ele disse uma coisa na MTV bem certa :
Eu sou brasileiro? Onde? Crescí pensando em inglês, desejando em francês, sonhando em Technicolor e escutando jazz e rock'n'roll. Não jogo capoeira, não gosto de pagode, odeio feijoado e acho cachaça intragável. Umbanda não quero, samba é sempre a mesma nota e bossa-nova, tô fora. Leio Tolstoi, Heminguay, Borges, Flaubert. Onde o Brasil ? Nem futebol me interessa!
É isso aí.
Portugal é um país feito de Paratis, Ouros-Pretos e Búzios.
Habitado por Saramagos, Pessoas e Eças.
Pacato. Confiável. Eterno.
Fácil de negociar, pois é previsível. Preso aos primos da Comunidade. Cheio de aposentados alemães, suecos e ingleses.
Não há nada grande como SP. Tudo lá é pequeno, discreto, reservado, e muito orgulhoso. Sem grandes riquesas, sem grandes misérias, sem grandes problemas, sem qualquer medo. Parati, não é ?
Consomem muito livro, muito museu, muito teatro.
Ainda lembram de Bertolucci e de Cocteau. Não apreciam a América e se envergonham do Brasil. ( Só se fala do Brasil quando um filho mata o pai, dos travestís e das drogas no morro ).
Não importa o pib. Só importa para candidato a eleição, para economista banal e para capitalista deslumbrado.
Importa olhar e ver, escutar e ouvir, comer e saborear.
E em Portugal, o resto é sempre mar...
PS. Detesto o Lobão
Mas ele disse uma coisa na MTV bem certa :
Eu sou brasileiro? Onde? Crescí pensando em inglês, desejando em francês, sonhando em Technicolor e escutando jazz e rock'n'roll. Não jogo capoeira, não gosto de pagode, odeio feijoado e acho cachaça intragável. Umbanda não quero, samba é sempre a mesma nota e bossa-nova, tô fora. Leio Tolstoi, Heminguay, Borges, Flaubert. Onde o Brasil ? Nem futebol me interessa!
É isso aí.
para uma amiga
Todo final de tarde eu olhava aquela janela.
Luz amarelada e um calmo contraste com o barulho da Paulista.
-Quem viveria lá? Aquela casa me dava medo, mas o medo sempre me seduziu e eu ficava parado, frio e noite e solidão, olhando a luz amarela. Eu abraçava meus livros e seguia. Mas a casa me acompanhava e eu a levava para meu quarto onde ela dormia comigo.
Uma manhã eu esperava dentro do carro do meu pai. Meu velho tentava se comunicar comigo mas eu não queria comunicação. Não naquela hora. Escondido detrás daquela janela embaçada, eu esperava que Jeanne saísse da escola. E ela saía sempre a mesma. Empurrando quem estivesse em sua frente, mastigando um eterno chiclete, gritando ordens às amigas, chutando a bunda de alguém. Eu sorria e justificava minha vida absurda. Jeanne fingia não me ver, passava indiferente, voltava e batia no vidro. Ela sorria.
Amei essa cavalinha em cada mulher que encontrei. Percorri toda avenida atrás dela e sei que ela vive atrás de cada janela amarela que me encontra na rua.
Hoje ela não deve mais ser a cavalinha arisca e irrefreada. Mas toda menina que chutou bundas e socou ombros desprevinidos traz sempre em sí o sorriso da rua ensolarada e o segredo da chuva.
A avenida está lá. Jeanne está aqui e eu não esquecí.
Luz amarelada e um calmo contraste com o barulho da Paulista.
-Quem viveria lá? Aquela casa me dava medo, mas o medo sempre me seduziu e eu ficava parado, frio e noite e solidão, olhando a luz amarela. Eu abraçava meus livros e seguia. Mas a casa me acompanhava e eu a levava para meu quarto onde ela dormia comigo.
Uma manhã eu esperava dentro do carro do meu pai. Meu velho tentava se comunicar comigo mas eu não queria comunicação. Não naquela hora. Escondido detrás daquela janela embaçada, eu esperava que Jeanne saísse da escola. E ela saía sempre a mesma. Empurrando quem estivesse em sua frente, mastigando um eterno chiclete, gritando ordens às amigas, chutando a bunda de alguém. Eu sorria e justificava minha vida absurda. Jeanne fingia não me ver, passava indiferente, voltava e batia no vidro. Ela sorria.
Amei essa cavalinha em cada mulher que encontrei. Percorri toda avenida atrás dela e sei que ela vive atrás de cada janela amarela que me encontra na rua.
Hoje ela não deve mais ser a cavalinha arisca e irrefreada. Mas toda menina que chutou bundas e socou ombros desprevinidos traz sempre em sí o sorriso da rua ensolarada e o segredo da chuva.
A avenida está lá. Jeanne está aqui e eu não esquecí.
grandes discos pouco ouvidos
Começo aqui a falar de grandes discos ( grandes por serem maravilhosos ) e pouco ouvidos ( venderam pouco e são dificeis de achar ).
O primeiro é SHOOTING AT THE MOON de Kevin Ayers.
Lançado em 1971. Kevin é o Oscar Wilde do pop ( porém hétero ), o Noel Coward drunk.
O disco abre com MAY I. Sons de carro. Baixo dominante e sinuoso, percussão discreta, violão. A música é puro prazer, suave, quente, cálida, cheia de vida e de vinho. Feliz. Kevin não tem uma só canção triste, e esta é das mais felizes.
" eu fui flanar pelas ruas/ procurando onde comer/ achei um pequeno café/ vejo uma garota e falo :/ posso sentar com voce/ um pouco ? / gostaria da companhia de seu sorriso e de seu sol ."
Para contar isso, ele usa flauta, e violões suaves.
Puro sol, puro romance, puro flerte. Kevin é do tempo em que se flertava.
RHEINHARDT AND GERALDINE.
Ataque forte de bateria, baixo e sax. Bateria e oboé. Vocal apocalíptico. A música fala de desejo. Então vem uma colagem de sons, de ruídos. Confusão e quase caos.
COLORES PARA DOLORES.
Agora tudo é puro Stooges. Rock ao estilo Velvet Underground. Cavalgada de heróis de garagem. Teclado simples e incisivo. Deliciosa.
LUNATICS LAMENT.
Uma ostra conversa com uma onda. Cinco minutos desse irritante diálogo.
THE OYSTER AND THE FLYING FISH.
Uma canção tão deliciosa, tão savoir faire como comer ostras à beira-mar. Violões felizes e um refrão que diz: " Uh lá lá! "
UNDERWATER
São ruídos de baixo e synth.
CLARENCE IN WONDERLAND
Quse reggae. De bêbado. Fala de Clarence sentado na areia em Wonderland. Backing vocals de polvos, lulas e mariscos. Oboé. " Vamos ao nosso small chateau/ beber com miss juliet e o luar de junho ". Sons de gaivotas. Se o mundo fosse um lugar feliz, esta música seria um hit. Nunca foi.
RED GREEN AND YOU BLUE
Ressaca. Kevin se declara a garota so blue. " Voce está sentada sobre meus sonhos ". Enorme contra-baixo, violões, clarinete e a alegria de gravatas soltas e sapatos levados nas mãos.
SHOOTING AT THE MOON
Apocalipse.Guitarra galopante, tudo corre e roda e se confunde e emite cor. E se repete, repete, repete, repete...
MAY
Em francês. Melhor que a primeira versão. Serge encontra Kevin.
GEMINI CHILD
O romantismo supremo. Forte, feliz, nebuloso, confiante e muito dissonante.
" Fiz gente chorar, me perdí, procurei/ tudo o que todos fazem/ gemini child, voce sabe que eu te amo ? / voce faz de cada dia um Camelot/ vou dividir tudo que faço com voce/ gemini child, voce sabe que te amo? / apesar de nunca ter dito, tudo foi para voce e voce esteve no que fiz."
Se Wilde fizesse pop music seria exatamente isto. Aqui Kevin atinge o Camelot das emoções, o êxtase da eternidade, o simbolismo yeatsiano, o perfeito ideal. Usando instrumentação rock- galopante e acelerada- e com absoluta ausencia de drama ou pretensão.
Um gênio feliz.
O primeiro é SHOOTING AT THE MOON de Kevin Ayers.
Lançado em 1971. Kevin é o Oscar Wilde do pop ( porém hétero ), o Noel Coward drunk.
O disco abre com MAY I. Sons de carro. Baixo dominante e sinuoso, percussão discreta, violão. A música é puro prazer, suave, quente, cálida, cheia de vida e de vinho. Feliz. Kevin não tem uma só canção triste, e esta é das mais felizes.
" eu fui flanar pelas ruas/ procurando onde comer/ achei um pequeno café/ vejo uma garota e falo :/ posso sentar com voce/ um pouco ? / gostaria da companhia de seu sorriso e de seu sol ."
Para contar isso, ele usa flauta, e violões suaves.
Puro sol, puro romance, puro flerte. Kevin é do tempo em que se flertava.
RHEINHARDT AND GERALDINE.
Ataque forte de bateria, baixo e sax. Bateria e oboé. Vocal apocalíptico. A música fala de desejo. Então vem uma colagem de sons, de ruídos. Confusão e quase caos.
COLORES PARA DOLORES.
Agora tudo é puro Stooges. Rock ao estilo Velvet Underground. Cavalgada de heróis de garagem. Teclado simples e incisivo. Deliciosa.
LUNATICS LAMENT.
Uma ostra conversa com uma onda. Cinco minutos desse irritante diálogo.
THE OYSTER AND THE FLYING FISH.
Uma canção tão deliciosa, tão savoir faire como comer ostras à beira-mar. Violões felizes e um refrão que diz: " Uh lá lá! "
UNDERWATER
São ruídos de baixo e synth.
CLARENCE IN WONDERLAND
Quse reggae. De bêbado. Fala de Clarence sentado na areia em Wonderland. Backing vocals de polvos, lulas e mariscos. Oboé. " Vamos ao nosso small chateau/ beber com miss juliet e o luar de junho ". Sons de gaivotas. Se o mundo fosse um lugar feliz, esta música seria um hit. Nunca foi.
RED GREEN AND YOU BLUE
Ressaca. Kevin se declara a garota so blue. " Voce está sentada sobre meus sonhos ". Enorme contra-baixo, violões, clarinete e a alegria de gravatas soltas e sapatos levados nas mãos.
SHOOTING AT THE MOON
Apocalipse.Guitarra galopante, tudo corre e roda e se confunde e emite cor. E se repete, repete, repete, repete...
MAY
Em francês. Melhor que a primeira versão. Serge encontra Kevin.
GEMINI CHILD
O romantismo supremo. Forte, feliz, nebuloso, confiante e muito dissonante.
" Fiz gente chorar, me perdí, procurei/ tudo o que todos fazem/ gemini child, voce sabe que eu te amo ? / voce faz de cada dia um Camelot/ vou dividir tudo que faço com voce/ gemini child, voce sabe que te amo? / apesar de nunca ter dito, tudo foi para voce e voce esteve no que fiz."
Se Wilde fizesse pop music seria exatamente isto. Aqui Kevin atinge o Camelot das emoções, o êxtase da eternidade, o simbolismo yeatsiano, o perfeito ideal. Usando instrumentação rock- galopante e acelerada- e com absoluta ausencia de drama ou pretensão.
Um gênio feliz.
HUSTON/ALTMAN/DIRTY HARRY/CLAUDE MILLER
a dama das camélias.
filme de Bolognini com a jovem Huppert. pesado, pretensioso, modorrento. Zero.
the thing.
ficção científica de howard hawks. envelheceu muito. 3.
roy bean, o homem da lei.
western de huston com um paul newman fantástico ( existe paul newman não fantástico ? ). mas o filme, que começa muito hilário e anárquico, se perde e cai ladeira abaixo. 6.
os amantes de maria.
filme de konchalovski com nastassja kinski lindissima! fala de impotencia, crueldade, guerra. bela foto, ótimo robert mitchum, péssimo john savage. 3.
entre o céu e o inferno.
filme sobre o blues e o desejo. tem samuel l. jackson e uma deliciosa christina ricci. mas o filme é de uma tolice atroz. e muito conservador! 2.
o homem que não vendeu sua alma.
vencedor de vários oscars em 1966, tem fred zinemann ( o mesmo diretor de shane, de a um passo da eternidade e de julia ), tem robert shaw, orson welles, susannah york, wendy hiller, vanessa redgrave, john hurt e no papel de thomas more, o grande paul scofield. as primeiras cenas no lago são belíssimas e a música de georges delerue sublime. filme clássico para quem quer saber o que significa competencia e cultura. 8.
cerimônia de casamento.
altman dirige mia farrow, geraldine chaplin, vittorio gassman num filme hipnótico, muito alegre e sem nenhuma pretensão. lilian gish, aos 80 anos, domina o filme. 7.
vampiros de alma.
ficção científica de 1956 que ainda envolve, impressiona e até assusta. don siegel, o inventor do dirty harry, dirigiu. 7.
paris, te amo.
a mais fascinante das cidades recebe uma homenagem de wes craven, gus van sant, walter salles, coen, e um vasto etc. o melhor é o último episódio, de alexander payne, que chega a emocionar e muito. o pior é o de walter salles, óbvio e vazio. 6.
a pequena lili.
filme de 2003 dirigido por claude miller ( produtor dos filmes de truffaut e diretor de classe aa na frança ) e com nicole garcia e bernard giraud. revelou ludivine sagnier, grande estrela na europa, mas que aqui pouca gente conhece. o filme lhe é generoso, lhe dando um papel de ninfeta fatal. bonito e bem conduzido. 7.
filme de Bolognini com a jovem Huppert. pesado, pretensioso, modorrento. Zero.
the thing.
ficção científica de howard hawks. envelheceu muito. 3.
roy bean, o homem da lei.
western de huston com um paul newman fantástico ( existe paul newman não fantástico ? ). mas o filme, que começa muito hilário e anárquico, se perde e cai ladeira abaixo. 6.
os amantes de maria.
filme de konchalovski com nastassja kinski lindissima! fala de impotencia, crueldade, guerra. bela foto, ótimo robert mitchum, péssimo john savage. 3.
entre o céu e o inferno.
filme sobre o blues e o desejo. tem samuel l. jackson e uma deliciosa christina ricci. mas o filme é de uma tolice atroz. e muito conservador! 2.
o homem que não vendeu sua alma.
vencedor de vários oscars em 1966, tem fred zinemann ( o mesmo diretor de shane, de a um passo da eternidade e de julia ), tem robert shaw, orson welles, susannah york, wendy hiller, vanessa redgrave, john hurt e no papel de thomas more, o grande paul scofield. as primeiras cenas no lago são belíssimas e a música de georges delerue sublime. filme clássico para quem quer saber o que significa competencia e cultura. 8.
cerimônia de casamento.
altman dirige mia farrow, geraldine chaplin, vittorio gassman num filme hipnótico, muito alegre e sem nenhuma pretensão. lilian gish, aos 80 anos, domina o filme. 7.
vampiros de alma.
ficção científica de 1956 que ainda envolve, impressiona e até assusta. don siegel, o inventor do dirty harry, dirigiu. 7.
paris, te amo.
a mais fascinante das cidades recebe uma homenagem de wes craven, gus van sant, walter salles, coen, e um vasto etc. o melhor é o último episódio, de alexander payne, que chega a emocionar e muito. o pior é o de walter salles, óbvio e vazio. 6.
a pequena lili.
filme de 2003 dirigido por claude miller ( produtor dos filmes de truffaut e diretor de classe aa na frança ) e com nicole garcia e bernard giraud. revelou ludivine sagnier, grande estrela na europa, mas que aqui pouca gente conhece. o filme lhe é generoso, lhe dando um papel de ninfeta fatal. bonito e bem conduzido. 7.
kenneth tynan sabe tudo sobre teatro
Separo aqui alguns lances do livro do Tynan ( o melhor e mais famoso crítico britânico ), livro que relí semana passada:
SOBRE ATORES INGLESES
seu abc é feito de Shakespeare e Ibsen, portanto, eles adquirem todo controle de voz, de presença cênica que um ator pode querer ter.
nessa tradição existem os grandes, aqueles que nasceram para fazer personagens maiores que a vida, os grandes símbolos de toda a humanidade: Olivier, John Gielgud, Ralph Richardson e Michael Redgrave.
existem os peso-leve. poderiam ter sido gigantes, mas se especializaram em textos mais leves e no cinema: Alec Guiness, Rex Harrison, Peter Sellers, Michael Caine, Sean Connery, James Mason.
os que abortaram. por motivos vários ( bebida, droga, dinheiro em excesso, preguiça ), estes atores poderiam ter sido grandes como os 4 monstros, mas não vingaram ( apesar de terem deixado momentos de absoluta genialidade ).
detalhe: eles sempre vêm aos pares. um grande ator sempre precisa de um rival/modelo, para manter sua gana e sua ambição.
são eles:
paul scofield- richard burton
peter finch- trevor howard
peter o'toole- albert finney
terence stamp- ian mckellen
anthony hopkins- john hurt
daniel day lewis- jeremy irons
INVULNERABILIDADE
porque kate hepburn, james cagney, bogart, spencer tracy e bette davis são indestrutíveis? porque sobrevivem a modas e se mantêm como ícones?
existe algo de invulnerável neles. voce olha, observa, disseca, penetra, e não acha falhas, não encontra o ponto vulnerável. eles são sobre-humanos. estão no olimpo do arquétipo planetário.
1946-THE BEST
Laurence Olivier em cena fazendo EDIPO REI. Fura os olhos e dá um grito que cinquenta anos mais tarde quem lá esteve ainda sente seu horror. ( Paulo Francis e Antonio Callado sempre citavam esse espetáculo ). Èdipo terminado, o público tomado pelo medo e pelo trágico. Cinco minutos depois, Olivier entrava em cena voando, suspenso por cordas. Usando peruca e pó de arroz, apresentava THE CRITIC de Sheridan, e fazia a audiência gargalhar por hora e meia.
Gênio. Quem viu diz que nada se compara. Nem Brando em Tennessee Willians, nem Gielgud fazendo Hamlet, Richard Burton em Look Back in Anger ou Jason Robards fazendo O'Neill.
MILES DAVIS E O DUENDE
Os espanhóis chamam de duende o ato de exibir o máximo de emoção com o mínimo de ação ou espalhafato. Miles comovia com duas notas e jamais mostrava qualquer emoção, seja dor ou raiva, no palco. Quem sentia dor, raiva, amor e desejo era o público.
Passar muito com pouco. Dizer tudo, falando quase nada.
O QUE É ESTILO
O brilho do estilo está em se simplificar aquilo que é complexo.
O idiota complica o simples ( e engana ingênuos ).
Me parece que o cinema ruim faz muito isso : voce pega uma idéia simplória e a complica. Coloca citações, inverte a cronologia da história, faz malabarismos com efeitos.
O estilo verdadeiro faz o oposto. Conta o mistério do desejo na simples história de um cara olhando os vizinhos com um binóculo.
E em matéria de estilo, de contar muito mostrando pouco, HITCHCOCK foi imbatível.
HUMPHREY BOGART
Bogey foi antes de tudo um grande ator. Foi o primeiro e o melhor dos estóicos: tudo nele nos diz que não iremos morrer, mas que estamos morrendo...
LOUISE BROOKS
Ela criou a imagem da inocencia perversa. Do animal sexual.
Suas herdeiras seriam Dietrich nos filmes de Sternberg; Bacall nos filmes de Hawks; Anna Karina em Pierrot e Harriet Anderson em Monika.
SOBRE ATORES INGLESES
seu abc é feito de Shakespeare e Ibsen, portanto, eles adquirem todo controle de voz, de presença cênica que um ator pode querer ter.
nessa tradição existem os grandes, aqueles que nasceram para fazer personagens maiores que a vida, os grandes símbolos de toda a humanidade: Olivier, John Gielgud, Ralph Richardson e Michael Redgrave.
existem os peso-leve. poderiam ter sido gigantes, mas se especializaram em textos mais leves e no cinema: Alec Guiness, Rex Harrison, Peter Sellers, Michael Caine, Sean Connery, James Mason.
os que abortaram. por motivos vários ( bebida, droga, dinheiro em excesso, preguiça ), estes atores poderiam ter sido grandes como os 4 monstros, mas não vingaram ( apesar de terem deixado momentos de absoluta genialidade ).
detalhe: eles sempre vêm aos pares. um grande ator sempre precisa de um rival/modelo, para manter sua gana e sua ambição.
são eles:
paul scofield- richard burton
peter finch- trevor howard
peter o'toole- albert finney
terence stamp- ian mckellen
anthony hopkins- john hurt
daniel day lewis- jeremy irons
INVULNERABILIDADE
porque kate hepburn, james cagney, bogart, spencer tracy e bette davis são indestrutíveis? porque sobrevivem a modas e se mantêm como ícones?
existe algo de invulnerável neles. voce olha, observa, disseca, penetra, e não acha falhas, não encontra o ponto vulnerável. eles são sobre-humanos. estão no olimpo do arquétipo planetário.
1946-THE BEST
Laurence Olivier em cena fazendo EDIPO REI. Fura os olhos e dá um grito que cinquenta anos mais tarde quem lá esteve ainda sente seu horror. ( Paulo Francis e Antonio Callado sempre citavam esse espetáculo ). Èdipo terminado, o público tomado pelo medo e pelo trágico. Cinco minutos depois, Olivier entrava em cena voando, suspenso por cordas. Usando peruca e pó de arroz, apresentava THE CRITIC de Sheridan, e fazia a audiência gargalhar por hora e meia.
Gênio. Quem viu diz que nada se compara. Nem Brando em Tennessee Willians, nem Gielgud fazendo Hamlet, Richard Burton em Look Back in Anger ou Jason Robards fazendo O'Neill.
MILES DAVIS E O DUENDE
Os espanhóis chamam de duende o ato de exibir o máximo de emoção com o mínimo de ação ou espalhafato. Miles comovia com duas notas e jamais mostrava qualquer emoção, seja dor ou raiva, no palco. Quem sentia dor, raiva, amor e desejo era o público.
Passar muito com pouco. Dizer tudo, falando quase nada.
O QUE É ESTILO
O brilho do estilo está em se simplificar aquilo que é complexo.
O idiota complica o simples ( e engana ingênuos ).
Me parece que o cinema ruim faz muito isso : voce pega uma idéia simplória e a complica. Coloca citações, inverte a cronologia da história, faz malabarismos com efeitos.
O estilo verdadeiro faz o oposto. Conta o mistério do desejo na simples história de um cara olhando os vizinhos com um binóculo.
E em matéria de estilo, de contar muito mostrando pouco, HITCHCOCK foi imbatível.
HUMPHREY BOGART
Bogey foi antes de tudo um grande ator. Foi o primeiro e o melhor dos estóicos: tudo nele nos diz que não iremos morrer, mas que estamos morrendo...
LOUISE BROOKS
Ela criou a imagem da inocencia perversa. Do animal sexual.
Suas herdeiras seriam Dietrich nos filmes de Sternberg; Bacall nos filmes de Hawks; Anna Karina em Pierrot e Harriet Anderson em Monika.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
avenida paulista
Debaixo do sol, minha careca ardendo, eu e Turco andando pela Paulista.
Adoro aquela avenida, como eu adoro tudo aquilo que é sujo, caótico e surpreendente.
Turco usa uma boina vinho e fala de mulheres. Por não entender nada de mulheres é que adoramos tanto essas coisas estranhas, perfumadas, encantadoras, sinuosas, obtusas, espertíssimas, matreiras, macias, líderes, escravas, borboletosas, choramingonas, dominantes, enraivecentes e solares.
Nada mudou. Um homem sincero sabe que sempre vai pensar sobre as tais mulheres como pensava aos 15 anos. Burramente. Então eu falo do que acho que sei: cinema-música-livros. Mas eu não sei se sei. ( Quem pensar que escrevo isto movido a gim, errou ).
Em frente ao ponto de bus do Objetivo vejo uma menina de camiseta preta onde se lê : Áries! Me apaixono por ela. Ela empurra os amigos, chuta a mochila de um deles, bagunça o próprio cabelo e tem cara de ser ruim e rebelde e desbocada e com joelhos esfolados. Os garotos que a acompanham : um tem um skate, óculos espelhados e camiseta listrada. Cabelo longo, despenteado. O outro usa bermuda de jeans e blusa preta com o Iron Maiden. Os 3 riem, pulam, celebram a saúde de ser jovem, solto, egoísta.
Eu fui a festa na Paulista. Eu era um menino e o Corinthians havia saído da fila. Eu era o garoto de blusa listrada e cabelo longo e jeans rasgado e jeito de " qualé ". Eu me entupia de Led Zeppelin e revistas em quadrinhos. Eu andava de bike e tinha Claudinha, uma menina de cabelo vermelho, jeito de cachorro da rua e cara de " fuck you ".
Turco comentou o péssimo gosto que existe em se gostar do Iron.
Mas isso não importa. O que me pega é saber que EU continuo por lá, na figura daquele trio, na cara da ariana-irascível-inatingível e nos garotos rindo e pulando como potros.
Subo no bus me sentindo oitenta quilos mais leve e trinta anos mais novo. A Paulista é um lixo. Mas é nela que eu sempre vivo.
Adoro aquela avenida, como eu adoro tudo aquilo que é sujo, caótico e surpreendente.
Turco usa uma boina vinho e fala de mulheres. Por não entender nada de mulheres é que adoramos tanto essas coisas estranhas, perfumadas, encantadoras, sinuosas, obtusas, espertíssimas, matreiras, macias, líderes, escravas, borboletosas, choramingonas, dominantes, enraivecentes e solares.
Nada mudou. Um homem sincero sabe que sempre vai pensar sobre as tais mulheres como pensava aos 15 anos. Burramente. Então eu falo do que acho que sei: cinema-música-livros. Mas eu não sei se sei. ( Quem pensar que escrevo isto movido a gim, errou ).
Em frente ao ponto de bus do Objetivo vejo uma menina de camiseta preta onde se lê : Áries! Me apaixono por ela. Ela empurra os amigos, chuta a mochila de um deles, bagunça o próprio cabelo e tem cara de ser ruim e rebelde e desbocada e com joelhos esfolados. Os garotos que a acompanham : um tem um skate, óculos espelhados e camiseta listrada. Cabelo longo, despenteado. O outro usa bermuda de jeans e blusa preta com o Iron Maiden. Os 3 riem, pulam, celebram a saúde de ser jovem, solto, egoísta.
Eu fui a festa na Paulista. Eu era um menino e o Corinthians havia saído da fila. Eu era o garoto de blusa listrada e cabelo longo e jeans rasgado e jeito de " qualé ". Eu me entupia de Led Zeppelin e revistas em quadrinhos. Eu andava de bike e tinha Claudinha, uma menina de cabelo vermelho, jeito de cachorro da rua e cara de " fuck you ".
Turco comentou o péssimo gosto que existe em se gostar do Iron.
Mas isso não importa. O que me pega é saber que EU continuo por lá, na figura daquele trio, na cara da ariana-irascível-inatingível e nos garotos rindo e pulando como potros.
Subo no bus me sentindo oitenta quilos mais leve e trinta anos mais novo. A Paulista é um lixo. Mas é nela que eu sempre vivo.
fim de olimpíadas-page!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
JIMI PAGE tocou na festa de encerramento das olimpíadas!!!!!
Londres escolheu Jimi para representar a cidade, na festa de 2012 !
Page tocou Whole Lotta Love ! Ele merece!!!! Londres merece ! Eu mereço !
Finalmente o mundo está pronto para aceitar o fato de que :
Hendrix não foi o guitarrista mais importante da história. Foi Jimi Page.
Os Beatles não foram a melhor banda ( são a mais conhecida ). Foi o Led.
Os Stones não foram a mais rock'n'roll - foi o Zepp.
O melhor show não era o The Who, era Led Zeppelin.
Na lista dos meus 10 discos favoritos, sempre há lugar para 3 Zeppelins : o segundo, Houses of the Holy e Physical Graffitti.
O Led foi grande, vasto, exuberante, macho, corajoso e tinha o dom de irritar os pacatos fuinhas do bom-gosto.
Eu sou eles.
Londres escolheu Jimi para representar a cidade, na festa de 2012 !
Page tocou Whole Lotta Love ! Ele merece!!!! Londres merece ! Eu mereço !
Finalmente o mundo está pronto para aceitar o fato de que :
Hendrix não foi o guitarrista mais importante da história. Foi Jimi Page.
Os Beatles não foram a melhor banda ( são a mais conhecida ). Foi o Led.
Os Stones não foram a mais rock'n'roll - foi o Zepp.
O melhor show não era o The Who, era Led Zeppelin.
Na lista dos meus 10 discos favoritos, sempre há lugar para 3 Zeppelins : o segundo, Houses of the Holy e Physical Graffitti.
O Led foi grande, vasto, exuberante, macho, corajoso e tinha o dom de irritar os pacatos fuinhas do bom-gosto.
Eu sou eles.
POP MUSIC
3 minutos de pura perfeição.
Como é dificil !!!!!
Já tive banda, sei como é relativamente fácil ( e prazeroso ) fazer barulho. Ou se perder em solos sempre iguais. Mas conseguir compor um refrão que gruda, um riff que emociona, uma canção redonda e bem feita... que dureza !
Portanto eu mando vivas para Phil Spector, que criou o pop de dois minutos wagnerianos-simples; para a Motown, que fabricava tesouros às dúzias; para Paul, que era o beatle artesão ( os outros eram pretensão- ringo não conta ); Monkees, que delícia de canções; Elton John, sim! a tia elton, que entre 71-76 foi um gênio pop, unindo beatles-motown-monkees-beach boys em um cara só ( e vendia como Madonna ); Abba, que fez SOS e Waterloo, dois pops que definem o pop; a fase pop de Bowie; T REX, com seu boogie; Blondie-Police-Jam-B52's, que fizeram singles simplérrimos, inesquecíveis e tão dificeis de serem repetidos; Prince, o Elton-Marvin-Sly-Barry White dos 80's; e por falar nisso: viva para Barry White, Harold Melvin, Rick James, Tavares...isso é puro prazer!!!!!!!
Rush, Radiohead, Pink Floyd, Bjork...pode ficar com tudo isso.
Como é dificil !!!!!
Já tive banda, sei como é relativamente fácil ( e prazeroso ) fazer barulho. Ou se perder em solos sempre iguais. Mas conseguir compor um refrão que gruda, um riff que emociona, uma canção redonda e bem feita... que dureza !
Portanto eu mando vivas para Phil Spector, que criou o pop de dois minutos wagnerianos-simples; para a Motown, que fabricava tesouros às dúzias; para Paul, que era o beatle artesão ( os outros eram pretensão- ringo não conta ); Monkees, que delícia de canções; Elton John, sim! a tia elton, que entre 71-76 foi um gênio pop, unindo beatles-motown-monkees-beach boys em um cara só ( e vendia como Madonna ); Abba, que fez SOS e Waterloo, dois pops que definem o pop; a fase pop de Bowie; T REX, com seu boogie; Blondie-Police-Jam-B52's, que fizeram singles simplérrimos, inesquecíveis e tão dificeis de serem repetidos; Prince, o Elton-Marvin-Sly-Barry White dos 80's; e por falar nisso: viva para Barry White, Harold Melvin, Rick James, Tavares...isso é puro prazer!!!!!!!
Rush, Radiohead, Pink Floyd, Bjork...pode ficar com tudo isso.
filmes que andei vendo e revendo
ASCENSOR PARA O CADAFALSO...louis malle em sua estréia nos dá um policial trágico, surpreendente e perfeito.....................................9
A VIÚVA ALEGRE...escapismo. sonho. risos. fantasia. classe...................9
O HOMEM COM O BRAÇO DE OURO...sinatra foi um ótimo ator. aqui ele é um junkie-baterista. o filme é duro, cruel e muito jazz. ( bernstein, shorty rogers e shell na trilha )....8
O OURO DE NÁPOLES...um de sica menor........6
COMBOIO...sam peckimpah, em sua fase final drunk. filme setentista on the road. é um tipo de filme de burt reynolds sem humor.....5
GRANDES ESPERANÇAS...eu sabia que ethan e gwyneth são ruins. mas aqui eles se superam. chega a dar pena de ethan . ...1
A CASA DOS ESPÍRITOS...um super elenco num super lixo. melaço burro, chato...zero!
THE COOLER...muito bom. 7
BONNES FEMMES...um filme de chabrol de 1959. perdido em firulas modernetes....3
MURDER BY DEATH...peter falk, david niven, peter sellers, maggie smith, truman capote; podia ter sido melhor. falk imitando bogart é inesquecível.....6
WHATS NEW PUSSYCAT...peter o'toole, peter sellers e woody allen ( estreando no cinema ). e ainda a adorável romy schneider. se voce quiser saber porque os sixties foram tão alegres....4
UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO...bill murray interpretando hunter thompson.....8
GUERREIRO BÚFALO...filme ruim, burro, de más intenções, picareta. um anti-mash.....ZERO.
A VIÚVA ALEGRE...escapismo. sonho. risos. fantasia. classe...................9
O HOMEM COM O BRAÇO DE OURO...sinatra foi um ótimo ator. aqui ele é um junkie-baterista. o filme é duro, cruel e muito jazz. ( bernstein, shorty rogers e shell na trilha )....8
O OURO DE NÁPOLES...um de sica menor........6
COMBOIO...sam peckimpah, em sua fase final drunk. filme setentista on the road. é um tipo de filme de burt reynolds sem humor.....5
GRANDES ESPERANÇAS...eu sabia que ethan e gwyneth são ruins. mas aqui eles se superam. chega a dar pena de ethan . ...1
A CASA DOS ESPÍRITOS...um super elenco num super lixo. melaço burro, chato...zero!
THE COOLER...muito bom. 7
BONNES FEMMES...um filme de chabrol de 1959. perdido em firulas modernetes....3
MURDER BY DEATH...peter falk, david niven, peter sellers, maggie smith, truman capote; podia ter sido melhor. falk imitando bogart é inesquecível.....6
WHATS NEW PUSSYCAT...peter o'toole, peter sellers e woody allen ( estreando no cinema ). e ainda a adorável romy schneider. se voce quiser saber porque os sixties foram tão alegres....4
UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO...bill murray interpretando hunter thompson.....8
GUERREIRO BÚFALO...filme ruim, burro, de más intenções, picareta. um anti-mash.....ZERO.
OLIMPIADAS
Posso dizer que a China fez tudo bonitinho e bem feito. Leio e fico sabendo que o povo chinês tem um terrível complexo de inferioridade ( consequencia do fato de jamais terem ganho uma guerra e nunca terem conhecido algo diferente da servidão ). A olímpiada mostrou isso : um enorme desejo de agradar.
Mas não deixa de ser triste um povo ter como grandes contribuições ao mundo, a pólvora, a prensa e o confucionismo. De 1.400 pra cá, um absoluto vazio...
DESTAQUES:
-os computadores da imprensa, que não conseguiam acessar sites censurados pelos donos do país ( anistia internacional era um deles ). nenhum povo merece isso, mas os chineses dizem que reclamar não é seu hábito... China, o paraíso dos néscios!
-o dono do Irã proibiu que seu nadador dividisse uma piscina com um nadador de Israel ! E existem imbecis tupis que acham o Irã um barato...o nadador abandonou a prova e perdeu por wo.
- tem coisa pior que futebol feminino? os gols saem sempre de falhas das zagas ( com não mais que dez por cento de excessões ), toda bola sai pela lateral, passes errados incontáveis... Brasil versus EUA, uma chatice!!!! nosso time, sem tática, sem plano de vitória; mandava bicos pra frente, enquanto as americanas, com um plano claro de jogo, assistiam nosso destempero. Pregadas aos 35 do segundo tempo, assistimos a vitória americana, que poderia ter sido de goleada. Quem achar o resultado injusto, peço que reveja o tape. Brasil, duas chances reais de gol; EUA, quatro gols feitos.
- os peões da fazenda caribenha de charutos estão enlouquecendo. sentem desamparo com a morte do grã-senhor, do bwana, do feitor-mor. No boxe, um lutador ao perder deu uma cabeçada na cara do oponente; em outra luta, o cubanito desferiu 5 socos no vencedor com o assalto encerrado, e no tae-kwon-do, o perdedor bateu no juiz!!!!! sem as chibatadas do sinhô, Cuba se torna um antro de piratas e gatunos de quinta categoria.
- um chinês se perde na pista do estádio. não sabe onde levar o carrinho de mão. confuso, estaciona onde estava, esperando que seu superior diga o que fazer : este é o retrato de um país de abelhas, de formigas. A Europa ensinou ao mundo o que é ser uma cigarra.
Mas não deixa de ser triste um povo ter como grandes contribuições ao mundo, a pólvora, a prensa e o confucionismo. De 1.400 pra cá, um absoluto vazio...
DESTAQUES:
-os computadores da imprensa, que não conseguiam acessar sites censurados pelos donos do país ( anistia internacional era um deles ). nenhum povo merece isso, mas os chineses dizem que reclamar não é seu hábito... China, o paraíso dos néscios!
-o dono do Irã proibiu que seu nadador dividisse uma piscina com um nadador de Israel ! E existem imbecis tupis que acham o Irã um barato...o nadador abandonou a prova e perdeu por wo.
- tem coisa pior que futebol feminino? os gols saem sempre de falhas das zagas ( com não mais que dez por cento de excessões ), toda bola sai pela lateral, passes errados incontáveis... Brasil versus EUA, uma chatice!!!! nosso time, sem tática, sem plano de vitória; mandava bicos pra frente, enquanto as americanas, com um plano claro de jogo, assistiam nosso destempero. Pregadas aos 35 do segundo tempo, assistimos a vitória americana, que poderia ter sido de goleada. Quem achar o resultado injusto, peço que reveja o tape. Brasil, duas chances reais de gol; EUA, quatro gols feitos.
- os peões da fazenda caribenha de charutos estão enlouquecendo. sentem desamparo com a morte do grã-senhor, do bwana, do feitor-mor. No boxe, um lutador ao perder deu uma cabeçada na cara do oponente; em outra luta, o cubanito desferiu 5 socos no vencedor com o assalto encerrado, e no tae-kwon-do, o perdedor bateu no juiz!!!!! sem as chibatadas do sinhô, Cuba se torna um antro de piratas e gatunos de quinta categoria.
- um chinês se perde na pista do estádio. não sabe onde levar o carrinho de mão. confuso, estaciona onde estava, esperando que seu superior diga o que fazer : este é o retrato de um país de abelhas, de formigas. A Europa ensinou ao mundo o que é ser uma cigarra.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
kevin ayers
Estou realmente convencido que se trata de um bruxo.
Agora que ouvi tudo que ele fez ( 15 cds ), posso dizer: foi Ferry com mais virilidade, Bolan com mais criatividade, Bowie com menos pretensão e Syd Barret de muito bom humor. Um Oscar Wilde do POP, um Noel Coward hippie, um Bernard Shaw chapado.
Agora que ouvi tudo que ele fez ( 15 cds ), posso dizer: foi Ferry com mais virilidade, Bolan com mais criatividade, Bowie com menos pretensão e Syd Barret de muito bom humor. Um Oscar Wilde do POP, um Noel Coward hippie, um Bernard Shaw chapado.
BOB CLAMPETT - PARA TUCORI E PAGOTTO
Em 1935, apotou na Warners um gênio de 17 anos. Robert Clampett.
Quem?
Clampett, que eu também mal conhecia, mas que descubro ser o cara que ensinou Tex Avery a enlouquecer e Chuck Jones a sorrir.
Seus cartoons, feitos na Warner entre 35/48, são tudo aquilo que vemos hoje na tv e pensamos ser originais. São um tipo de "A vaca e o frango" com mais riqueza na animação e mais detalhes de lay-out. Um tipo de "Beavis e Butthead" do jazz ( e bota jazz nisso ! ), uma espécie de " Eu sou o máximo" menos repetitivo.
Patolino era seu cartoon favorito, e com Bob Patolino dava as cartas. Ele criou o Duck louco, gritando, pulando, e sempre vencendo ( é triste ver que com Chuck, Patolino se tornou alvo de Hortelino e de Bugs ).
Gráficamente, os desenhos remetem à Dali e Magritte, as expressões faciais são hiper-exageradas, e o resultado geral é LSD antes de sua invenção!
Um gênio que se demitiu da Warner e migrou para a TV, onde ficou rico em comerciais. Uma pena...
Procurem conhecer. E observem como cada diretor da casa tinha estilo próprio:
Frank Tashlin ( que depois foi para o cinema - com atores- onde criou Jerry Lewis ) fazia humor puramente visual; Tex Avery criava muita ação e rapidez nos diálogos; Chuck Jones era o mais musical, o mais elegante e muito filosófico; Friz Freleng contava histórias, seguia o roteiro e jamais errava; MacKimson desenhava de forma cubista, era o moderninho, o colorista...e Clampett, o mais louco, que fazia o que queria, improvisava sempre, sendo o Charlie Parker da turma ( Tash era Ellington, Tex era Monk, Chuck era Beethoven, Friz Brahms e Mac era Sonny ).
É de Clampett a mais genial das cenas : Bugs e um condor caindo de um abismo. Eles berram...e berram...e berram...e é só...berram...puro Miles Davis, o quase nada que é tudo. Gênio...
Quem?
Clampett, que eu também mal conhecia, mas que descubro ser o cara que ensinou Tex Avery a enlouquecer e Chuck Jones a sorrir.
Seus cartoons, feitos na Warner entre 35/48, são tudo aquilo que vemos hoje na tv e pensamos ser originais. São um tipo de "A vaca e o frango" com mais riqueza na animação e mais detalhes de lay-out. Um tipo de "Beavis e Butthead" do jazz ( e bota jazz nisso ! ), uma espécie de " Eu sou o máximo" menos repetitivo.
Patolino era seu cartoon favorito, e com Bob Patolino dava as cartas. Ele criou o Duck louco, gritando, pulando, e sempre vencendo ( é triste ver que com Chuck, Patolino se tornou alvo de Hortelino e de Bugs ).
Gráficamente, os desenhos remetem à Dali e Magritte, as expressões faciais são hiper-exageradas, e o resultado geral é LSD antes de sua invenção!
Um gênio que se demitiu da Warner e migrou para a TV, onde ficou rico em comerciais. Uma pena...
Procurem conhecer. E observem como cada diretor da casa tinha estilo próprio:
Frank Tashlin ( que depois foi para o cinema - com atores- onde criou Jerry Lewis ) fazia humor puramente visual; Tex Avery criava muita ação e rapidez nos diálogos; Chuck Jones era o mais musical, o mais elegante e muito filosófico; Friz Freleng contava histórias, seguia o roteiro e jamais errava; MacKimson desenhava de forma cubista, era o moderninho, o colorista...e Clampett, o mais louco, que fazia o que queria, improvisava sempre, sendo o Charlie Parker da turma ( Tash era Ellington, Tex era Monk, Chuck era Beethoven, Friz Brahms e Mac era Sonny ).
É de Clampett a mais genial das cenas : Bugs e um condor caindo de um abismo. Eles berram...e berram...e berram...e é só...berram...puro Miles Davis, o quase nada que é tudo. Gênio...
KEY LARGO ( PARA TUCORI )
Key Largo, de Huston. O cinema viril de Huston. A história vem direta, sem frescuras. Ele liga a câmera e conta o que se tem para ser dito.
Key Largo, roteiro de Maxwell Anderson. Autor sério, liberal, que fez música com Kurt Weill ( a melhor canção da história- September Song-é da dupla ). Neste roteiro, Anderrson cria uma mini-américa. Num hotel, cercado de vazio. O gangster ( que representa aquilo que a nação se tornou ), um velho aleijado ( o bom cidadão, impotente ), e o existencialista ( Bogart ). E um bando de índios, perdidos e sem lugar, levando a culpa de tudo e jogados ao vento.
Key Largo, com Edward G. Robinson, ator perseguido por ser judeu, perseguido por ser de esquerda, mas que sempre recebeu apoio de Huston, Bogey, Mankiewicz. Aqui ele domina o filme. Rouba as cenas de Bogey. Brilha em sua maldade perversa.
E Humphrey, fazendo aquilo que tanto encantou os franceses ( Sartre, Goddard, Truffaut, Genet ), um homem sem endereço, sem família, sem ilusões, sem futuro. Bogart nos exibindo o homem de hoje e de amanhã, livre- perdido- sem se comprometer, mas obrigado a agir.
Key Largo, com fotografia do genial Karl Freund ( de Lang, de Murnau, e a América sempre foi esperta em acolher os " sem endereço " úteis ).
Um filme direto, simples, de texto, de testosterona-adulta, de furacão ( e exemplar na cena em que Robinson teme a chuva " pois não póde a dominar"- sina de todo super-homem ).
Único ponto fraco: a trilha sonora de Max Steiner, que quase põe tudo abaixo com sua melosidade fútil.
Key Largo, roteiro de Maxwell Anderson. Autor sério, liberal, que fez música com Kurt Weill ( a melhor canção da história- September Song-é da dupla ). Neste roteiro, Anderrson cria uma mini-américa. Num hotel, cercado de vazio. O gangster ( que representa aquilo que a nação se tornou ), um velho aleijado ( o bom cidadão, impotente ), e o existencialista ( Bogart ). E um bando de índios, perdidos e sem lugar, levando a culpa de tudo e jogados ao vento.
Key Largo, com Edward G. Robinson, ator perseguido por ser judeu, perseguido por ser de esquerda, mas que sempre recebeu apoio de Huston, Bogey, Mankiewicz. Aqui ele domina o filme. Rouba as cenas de Bogey. Brilha em sua maldade perversa.
E Humphrey, fazendo aquilo que tanto encantou os franceses ( Sartre, Goddard, Truffaut, Genet ), um homem sem endereço, sem família, sem ilusões, sem futuro. Bogart nos exibindo o homem de hoje e de amanhã, livre- perdido- sem se comprometer, mas obrigado a agir.
Key Largo, com fotografia do genial Karl Freund ( de Lang, de Murnau, e a América sempre foi esperta em acolher os " sem endereço " úteis ).
Um filme direto, simples, de texto, de testosterona-adulta, de furacão ( e exemplar na cena em que Robinson teme a chuva " pois não póde a dominar"- sina de todo super-homem ).
Único ponto fraco: a trilha sonora de Max Steiner, que quase põe tudo abaixo com sua melosidade fútil.
NA COMPANHIA DOS LOBOS
Houve uma bela geração britânica surgida nos 70/80: Ridley Scott, Alan Parker, Ken Loach, Jim Sheridan, Mike Leigh, e o melhor deles, Stephen Frears.
Neil Jordan dirigiu este filme em 1984, e raramente um filme foi mais sensual. ( sem mostrar nada de sexo ou nudez ).
Estamos, no filme, dentro da mente de uma menina. É o momento em que seus impulsos sexuais es´tão palpitando, é o final da infancia. Ela, corajosamente, enfrenta a floresta, toma contato com o lobo e abandona seus brinquedos.
Tudo isso contado com um maravilhoso clima onírico, sinuoso, rodeante. Lembra um Tim Burton mais adulto, mais sensual. Um delicioso filme que não assusta, seduz.
Quando criança eu acreditava nesse mundo. Minha mãe me falava dos lobos que seu pai enfrentara nas montanhas de Espanha/Portugal, nos invernos em que ele conduzia as ovelhas sózinho. Ela me falava das bruxas que ele espionava na mata, bruxas dançando nuas em clareiras de inverno. Minha mãe contava de corujas-humanizadas e olhares fulminantes de gatos do demo.
Eu acreditava em tudo. E as fábulas que ela me contava ( sempre em manhãs de chuva, antes da escola ) eram as histórias de Cinderela, Branca de Neve, Chapéuzinho Vermelho, mas em suas versões pré- Disney, ou seja, tenebrosas, sujas, assustadoras.
Creio que tudo que amo nasceu desse clima. Creio que minha Ireland nasceu aí.
Este filme mostra um pouco disso.
Neil Jordan dirigiu este filme em 1984, e raramente um filme foi mais sensual. ( sem mostrar nada de sexo ou nudez ).
Estamos, no filme, dentro da mente de uma menina. É o momento em que seus impulsos sexuais es´tão palpitando, é o final da infancia. Ela, corajosamente, enfrenta a floresta, toma contato com o lobo e abandona seus brinquedos.
Tudo isso contado com um maravilhoso clima onírico, sinuoso, rodeante. Lembra um Tim Burton mais adulto, mais sensual. Um delicioso filme que não assusta, seduz.
Quando criança eu acreditava nesse mundo. Minha mãe me falava dos lobos que seu pai enfrentara nas montanhas de Espanha/Portugal, nos invernos em que ele conduzia as ovelhas sózinho. Ela me falava das bruxas que ele espionava na mata, bruxas dançando nuas em clareiras de inverno. Minha mãe contava de corujas-humanizadas e olhares fulminantes de gatos do demo.
Eu acreditava em tudo. E as fábulas que ela me contava ( sempre em manhãs de chuva, antes da escola ) eram as histórias de Cinderela, Branca de Neve, Chapéuzinho Vermelho, mas em suas versões pré- Disney, ou seja, tenebrosas, sujas, assustadoras.
Creio que tudo que amo nasceu desse clima. Creio que minha Ireland nasceu aí.
Este filme mostra um pouco disso.
notas sobre filmes que andei vendo ( ou trevendo )
PS I LOVE YOU......Hillary não é fofinha, não funciona neste muito chato e muito vazio filmezinho para moçoilas. Vale pela Irlanda.....1
PLAINS, TRAINS..( ANTES SÓ QUE MAL ACOMPANHADO )...Steve Martin e John Candy. Adoro os dois! Uma comédia um pouco triste. Acho que todo mundo já assistiu....7
A VIDA DOS OUTROS...filme alemão sobre a deduragem e paranóia que rolavam na Alemanha Oriental. O incrível é que tudo que a direita dizia sobre o comunismo era verdade!!!....5
ZODÍACO.......Fincher engana só os meninos......1
A VÊNUS LOIRA....o cinema de Von Stenberg é inacreditável. Barroco. Cheio de firulas, detalhes, exageros, sem medo de errar. É um carnaval de alemão/americano.........8
VIVE-SE UMA SÓ VEZ....Fonda sai da prisão e não consegue emprego. Volta ao crime. Filme sem lição de moral, sem apelação ao melô, simples e com dois atores incomparáveis ( Henry Fonda e Silvya Sidney ). Fritz Lang se supera!.........................................9
EVERYONE SAYS I LOVE YOU...é o musical do Woody Allen. Assistí cinco vezes ( uma por ano ) e sempre adoro! Lindo!..........................................................................................8
O OLHO DO DIABO....é um Bergman muito fraco. .....................3
3 AMIGOS!.......Steve Martin, Chevy Chase e Martin Short. John Landis na direção. È ok, mas falta maldade. Comédia com bons sentimentos não funciona ( só se voce for Buster Keaton )....5
A CAIXA DE PANDORA.....Louise Brooks salva o nada bom filme pesado de Pabst. Ela é moderna, leve, fascinante, e totalmente sem moral. Seu rosto e seu tipo são referencias ainda hoje. O filme é grosso, duro, pouco criativo...........................2, para Brooks...MIL.
PLAINS, TRAINS..( ANTES SÓ QUE MAL ACOMPANHADO )...Steve Martin e John Candy. Adoro os dois! Uma comédia um pouco triste. Acho que todo mundo já assistiu....7
A VIDA DOS OUTROS...filme alemão sobre a deduragem e paranóia que rolavam na Alemanha Oriental. O incrível é que tudo que a direita dizia sobre o comunismo era verdade!!!....5
ZODÍACO.......Fincher engana só os meninos......1
A VÊNUS LOIRA....o cinema de Von Stenberg é inacreditável. Barroco. Cheio de firulas, detalhes, exageros, sem medo de errar. É um carnaval de alemão/americano.........8
VIVE-SE UMA SÓ VEZ....Fonda sai da prisão e não consegue emprego. Volta ao crime. Filme sem lição de moral, sem apelação ao melô, simples e com dois atores incomparáveis ( Henry Fonda e Silvya Sidney ). Fritz Lang se supera!.........................................9
EVERYONE SAYS I LOVE YOU...é o musical do Woody Allen. Assistí cinco vezes ( uma por ano ) e sempre adoro! Lindo!..........................................................................................8
O OLHO DO DIABO....é um Bergman muito fraco. .....................3
3 AMIGOS!.......Steve Martin, Chevy Chase e Martin Short. John Landis na direção. È ok, mas falta maldade. Comédia com bons sentimentos não funciona ( só se voce for Buster Keaton )....5
A CAIXA DE PANDORA.....Louise Brooks salva o nada bom filme pesado de Pabst. Ela é moderna, leve, fascinante, e totalmente sem moral. Seu rosto e seu tipo são referencias ainda hoje. O filme é grosso, duro, pouco criativo...........................2, para Brooks...MIL.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
homens
Os amigos do meu pai se reuniam na sala. Bebiam whisky, enchiam o ambiente de fumaça e jogavam cartas. Falavam alto, se xingavam, riam e se espalhavam pelo lugar. Tinham orgulho dos pelos no peito, das mãos calejadas, dos pés grandes, dos bigodes. Concertavam motores de carro, bombas de água, encanamentos, bikes e barcos. Pescavam, atiravam, sabiam brigar e fingiam não temer a morte. Beijavam de uma forma ríspida, dura e abraçavam desajeitadamente. Os que amavam poesia, temperavam isso com uma agrssividade feroz, e um modo casmurro de viver. Adoravam filmes policiais, westerns e filmes de guerra. Jogaram criancices no lixo, mas eram eternos moleques.
Minha mãe ( todas as mães ) fez com que ele crescesse. Se suavizou, se acomodou, se tornou mais caseiro, pacífico, macio. Ao final, ela sentia saudades do antigo jogador-fumante-mãos sujas de graxa.
Hoje aprendemos a fazer souflé, cheirar vinhos, depilar as pernas, fazer a sobrancelha, eliminar rugas, apreciar ballet, modelar o peito, falar suave, beijar macio. Tudo o que fazemos é para atrair e agradar uma mulher. E , loucamente, nos feminilizamos para as atrair. Porque?
Minha mãe ( todas as mães ) fez com que ele crescesse. Se suavizou, se acomodou, se tornou mais caseiro, pacífico, macio. Ao final, ela sentia saudades do antigo jogador-fumante-mãos sujas de graxa.
Hoje aprendemos a fazer souflé, cheirar vinhos, depilar as pernas, fazer a sobrancelha, eliminar rugas, apreciar ballet, modelar o peito, falar suave, beijar macio. Tudo o que fazemos é para atrair e agradar uma mulher. E , loucamente, nos feminilizamos para as atrair. Porque?
AJUDA
Neste mês trágico, o que me ajudou:
As ruas. Sol nas árvores, crianças de bike, skatistas se atirando, cães...
Yeats, Eliot e Joyce. Entendí seu universo, feito de símbolos eternos, de beleza que não se acaba, de heranças atemporais. Yeats salvou minha alegria.
Faroestes. Eu sabia que um bom western nos ensina a viver, mas jamais imaginei que nos ensinasse a morrer. Um tesouro de superação da dor, de heroísmo que só os muito idiotas ou os snobs afrscalhados não entendem.
Cachimbo. Fumaça subindo na noite. Meu cão ronca a meu lado. Pássaros se aninham. As coisas são assim porque precisam ser.
Django Rheinhardt. Som dos deuses ( se eles existissem ), som da felicidade ( e ela existe mesmo na dor ). Django era um anjo ( um anjo mau ).
O COELHO PERNALONGA, PATOLINO, ROAD-RUNNER, MARVIN, TAZ, FRAJOLA... alguém tem idéia da felicidade que gente como Friz Freleng, Chuck Jones, Bob MacKimson, Mel Blanc, Carl Stalling, Michael Maltese deram ao mundo ? A extrema inventividade, alegria, capricho, anarquia que havia em seu trabalho? Trabalho que não envelheceu um dia, que não é nostálgico, que ensina comédia e roteiro. Passei o mês com suas 3 caixas. Quanto prazer!!!!!!!
E um especial thanks aos amigos que tentaram entrar em contato. Valeu! è para voces que escrevo.
As ruas. Sol nas árvores, crianças de bike, skatistas se atirando, cães...
Yeats, Eliot e Joyce. Entendí seu universo, feito de símbolos eternos, de beleza que não se acaba, de heranças atemporais. Yeats salvou minha alegria.
Faroestes. Eu sabia que um bom western nos ensina a viver, mas jamais imaginei que nos ensinasse a morrer. Um tesouro de superação da dor, de heroísmo que só os muito idiotas ou os snobs afrscalhados não entendem.
Cachimbo. Fumaça subindo na noite. Meu cão ronca a meu lado. Pássaros se aninham. As coisas são assim porque precisam ser.
Django Rheinhardt. Som dos deuses ( se eles existissem ), som da felicidade ( e ela existe mesmo na dor ). Django era um anjo ( um anjo mau ).
O COELHO PERNALONGA, PATOLINO, ROAD-RUNNER, MARVIN, TAZ, FRAJOLA... alguém tem idéia da felicidade que gente como Friz Freleng, Chuck Jones, Bob MacKimson, Mel Blanc, Carl Stalling, Michael Maltese deram ao mundo ? A extrema inventividade, alegria, capricho, anarquia que havia em seu trabalho? Trabalho que não envelheceu um dia, que não é nostálgico, que ensina comédia e roteiro. Passei o mês com suas 3 caixas. Quanto prazer!!!!!!!
E um especial thanks aos amigos que tentaram entrar em contato. Valeu! è para voces que escrevo.
O MELHOR ATOR DA HISTÓRIA DO CINEMA
RUBENS EWALD FILHO TOCA NO ASSUNTO: MARCELLO MASTROIANNI SERIA O MAIOR ATOR QUE O CINEMA JÁ VIU.
RECORDO " DIVÓRCIO À ITALIANA", " ETERNOS DESCONHECIDOS", " LA DOLCE VITA", " UNA GIORNATA PARTICOLARE"... BASTAM ESSES PARA O COLOCAR ENTRE OS MAIORES CINCO. MAS EXISTEM MUITOS MAIS...
ELE FAZIA DE TUDO, E JAMAIS ERROU, JAMAIS. ( NÃO CONSIGO CITAR ALGUM OUTRO SEM ERROS ). ERA UM CONQUISTADOR E ERA MUITO DISCRETO. NÃO APELAVA, NÃO EXAGERAVA, NÃO SE DISFARÇAVA. ERA HUMANO, CALOROSO, SIMPÁTICO, AMIGO.
ASSISTA " ETERNOS DESCONHECIDOS" E SE APAIXONE POR MARCELLO.
RECORDO " DIVÓRCIO À ITALIANA", " ETERNOS DESCONHECIDOS", " LA DOLCE VITA", " UNA GIORNATA PARTICOLARE"... BASTAM ESSES PARA O COLOCAR ENTRE OS MAIORES CINCO. MAS EXISTEM MUITOS MAIS...
ELE FAZIA DE TUDO, E JAMAIS ERROU, JAMAIS. ( NÃO CONSIGO CITAR ALGUM OUTRO SEM ERROS ). ERA UM CONQUISTADOR E ERA MUITO DISCRETO. NÃO APELAVA, NÃO EXAGERAVA, NÃO SE DISFARÇAVA. ERA HUMANO, CALOROSO, SIMPÁTICO, AMIGO.
ASSISTA " ETERNOS DESCONHECIDOS" E SE APAIXONE POR MARCELLO.
Assinar:
Postagens (Atom)