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PRATO DO DIA, UMA LEMBRANÇA DE COMO SE COMIA EM SÃO PAULO NOS ANOS 70.

Risoto à Catarina era uma montanha de arroz cozido com molho de tomate e frango desfiado. Misturava-se ervilha e sobre tudo se depositavam seis fatias de presunto frito. Era minha comida favorita no bar do meu pai. De uma fartura imensa, o sabor de ervilha com frango era irresistível. Prato comum nos botecos da cidade, ele foi abandonado quando os MacDonalds fizeram falir os bares de salão grande que serviam refeição. Os frequentadores eram os gerente de bancos e lojas, mas também os balconistas, compradores, todos lá se uniam. Havia mais: Bife à Cavalo era prato comum e conhecido em todo lugar, hoje pouco lembrado. Um contra filé de dois palmos com três ovos mal passados descansando sobre a carne. A gema, mole, escorregava sobre o filé e o arroz que descansava debaixo de tudo. Era bom demais. Um outro prato sempre pedido, que eu adorava, era o Bife de Fígado com fritas. Um gigantesco bife de fígado de boi, bem passado, com batatas fritas que eram temperadas pelo suco que saía do bife ao ser cortado. Postas de Cação ao Molho. O peixe cozido numa panela grande, mergulhado em tomates, cebolas, azeite, alho. Acompanhado por batatas cozidas. Rabada. O rabo do boi cozido longamente em panela de pressão, um cheiro rico, irresistível, prato para se comer com as mãos, fiapos enfiados entre os dentes, o molho grosso, gorduroso, capturado pelo pão fresco. Dobradinha, talvez fosse a comida que mais me dava prazer. Um caldo grosso, quente, fumegante, com feijão branco, bucho, temperos em quilos e quilos. Para quem nunca comeu, o bucho não tem gosto, ele apenas engrossa o caldo e tem uma textura deliciosa. É como morder uma carne que derrete ao ser tocada. A Feijoada era outra na época. Vinha com mais carne seca, grandes cubos desfiando no caldo fervente. O feijão vinha à parte, em sua cumbuca com paio e lombo. Orelha, focinho, rabo, pé de porco, as pessoas tinham fome, tinham estômago, comer era um prazer, o maior dos prazeres. A Lasanha tinha três andares: presunto, queijo e carne moída. O molho escorria a cada garfada e a massa era firme, pedaçuda. Meu pai nunca servia Virado a Paulista, então esse prato não faz parte de minha memória afetiva e gulotiva, mas o Espaguete com Almôndegas é inesquecível. Imensas bolas de carne nadando em tomate, o ato de cortar uma ao meio, ato que era recompensa pelo trabalho do dia, o vapor saindo lá de dentro, o sabor de carne suculenta, o espaguete grosso, escorregadio e o pão para limpar o prato no final. Proust tinha razão, nossa memória de cheiros e sabores é viva, surpreendente! O Filet de Pescada com Fritas, o mais barato dos pratos de então, hoje o peixe está caro, Pescada não se acha mais, frito, ele estalava nos dentes ao ser mordido. Mais barato? Não! O prato dos Office Boys era o Comercial, arroz e feijão, salada de alface e tomate, e um bife fininho. E barato era também o Picadinho, um cozido de carne com batatas e cebolas, quente, grosso, prato que agora, ao escrever, ainda me faz salivar. --------------- No balcão o copeiro deixava garrafas de caipirinha e batidas de frutas, cortesia da casa para abrir o apetite. Sobremesas, meu pai oferecia apenas três: Pudim de Leite, do qual ele tinha imenso orgulho. Era um pudim gigante que era cortado em fatias triangulares. Muito elogiado por ser pouco doce, era feito por ele mesmo, daí seu orgulho. Quem resistisse ao pudim teria salada de frutas ( mamão, laranja, maçã e banana, tudo em pedaços grandes, nada dos picadinhos minúsculos de hoje ), ou Quindim, esse não muito cotado, único prato não feito na cozinha do meu pai, era comprado numa doceira da rua ao lado. ---------------- Botecos da época, falo de 1973, 1978, vendiam pouco sanduíche. O grosso eram esses pratos, comidos no balcão ou em mesas para quatro. Coxinhas e empadinhas, feitas na hora, imensas de grandes, vendiam muito também, e quando se pedia sanduíche ele era misto quente, baurú ou americano. Não se falava em hamburger. O Americano era soberbo: pão de forma com queijo prato, presunto, ovo frito, alface, tomate e maionese. O queijo esticando ao ser mordido e o presunto dourado, bem passado. Pra beber? Eu mandava duas Fanta laranja, sempre a minha favorita, mas tinha 7UP, Gini, Pepsi, Taí, Ginger Ale. Meu pai nunca vendeu Tubaína não.... ------------------- Saudosista este post? Sim, é. Havia nessa comida uma pessoalidade, a marca da mão da cozinha, mesmo simples, mesmo modesta, uma riqueza de gosto e de cheiro, um conforto caseiro que não existe em nenhum fast food e está ausente em 90% dos bons restaurantes. Nos Fast food a comida não tem cheiro e possui pouco sabor. O atendimento é antipático, frio, apressado e voce mal percebe o que come e comeu. Já nos restaurantes, os ruins são apenas ruins, e os bons vendem uma "experiência gastronômica", ou seja, um ato que está mais ligado a um show que a uma refeição calorosa e confortante. -------------- Suado pelo trabalho, voce tirava o paletó e o apoiava no encosto da cadeira, respirava fundo e gritava no salão: Oh Charuto! Tem Dobradinha ainda? E o Charuto, apelido do Antonio Carlos, gritava, caneta enfiada atrás da orelha, " Tem só mais uma! Manda?" Voce estava em casa. E isso custava pouco e valia muito. Muito sabor.

AZEITONAS - MORT ROSENBLUM

Mais que falar sobre o fruto sagrado, o que há de melhor neste livro é nos abrir a mente para a cultura do mediterrâneo. Há uma raiz, uma identidade em comum entre Espanha, sul da França, Itália, Grécia, Turquia, Croácia, Tunisia, Marrocos, Israel e Palestina. Inclui-se também Portugal e Chipre. Essa cultura, antiga como o Velho Testamento, se caracteriza pelo vinho, pelo pão, pelo amor ao sol e pelo culto à oliveira. Não exsite vida, como a conhecemos, nessa nações, sem o azeite, sem a azeitona, sem a árvore que para eles simboliza o espírito do Homem. ------------ Pois é a oliveira uma árvore indestrutível. Ela pode ser congelada na neve, esmagada por deslizamentos, queimada pelo fogo e mesmo assim renascerá. Voce pode cortar todos os seus galhos, serrar seu caule, ela irá brotar mais uma vez. Ela parecerá morta, mas a raiz, essa permanece. E volta a subir à luz da superfície. Oliveiras em Israel do tempo de Cristo. Oliveiras na Grécia do tempo de Aristóteles. Oliveiras na Espanha plantadas pelos romanos de César. Oliveiras do meu avô que estão lá desde sempre. -------------- Minha família, por parte de mãe, tinha oliveiras em Portugal. Ler estas histórias é para mim rememorar tudo que ouvi. Minha mãe, aos 8 anos, já ia colher as azeitonas no inverno gelado. As mãos congeladas agarrando os galhos para tirar os frutos. Essa imagem me persegue desde que nasci: O Tempo das Azeitonas. Só quem é de família desses lugares sabe como a oliveira é central para esses povos. Eles amam, servem, comem, vivem por e para elas. Não há no planeta nenhuma árvore tão central. ------------- Azeite para iluminar. Azeite para revitalizar a pele. Sabão de azeite. Azeite no pão, na sopa, na carne e na verdura. Azeite no doce, no peixe, na ave, no legume. Em casa tudo levava azeite. Não ter azeite era ser a pessoa mais pobre do mundo. Azeite no feijão, no arroz, beber azeite. Vida em forma de alimento. História que tem sabor. Quente, macio, vivo. Citado na Bíblia, na Ilíada, no Corão. Sempre sagrado: azeite e pão. Aldous Huxley disse: " As raízes penetram a rocha, abrem caminho, trazem a vida...eu amo todas as árvores, mas nada se compara a força da oliveira". ---------------- Voltando a Portugal, em 2016, minha mãe chorou por ver que suas oliveiras haviam sido todas arrancadas. ( Único modo de matar uma delas: arrancar a raiz central ). Vejo naquilo que minha mãe a prova viva do que este livro diz: Quando arrancam uma oliveira é arrancada a raiz de quem lá vive. Minha mãe não quer mais voltar à sua terra. Não é mais sua, as raízes foram retiradas. ------------ Na Palestina quando Israel desaloja uma comunidade arranca as oliveiras e planta novas. Eu entendo isso. Vi aqui em casa. ---------------- Agora, por ordem de Bruxelas, plantam milhares de oliveiras em Portugal. Decidiram que Portugal será produtor de azeite e só de azeite. Derrubam castanheiros, nogueiras, cortiças, uvas e pessegueiros, tudo será oliveiras. Mas ninguém as ama. São raízes estrangeiras. São impostas. Pior: o azeite será vendido como made in Italy. ( Sim, 80% do azeite vendido como italiano não vem da Itália ). ---------------- Vinho...o vinho é diferente. Embora tão velho como o azeite, ele virou moda desde a muito. Não é mais uma tradição de famílias, de todas as famílias do campo ao redor do Mediterrâneo. Perdeu sua alma. A azeitona manteve seu aspecto familiar, simbólico, sagrado. Até quando? Até quando houver barris de azeitonas em mercados de rua. Oliveiras em propriedades simples, onde se faz o azeite da casa. Árvores com centenas de anos. Velhos colhendo a mão na geada de dezembro. A união do mundo do sul da Europa com o passado-futuro árabe do continente. Mundo de sol, de instrumentos de corda, do mar sempre presente, de longas conversas sobre comida.

MINHA COZINHA EM PARIS - DAVID LEIBOVITZ

   David é um dos mais agradáveis escritores sobre comida de hoje. Este é o terceiro livro dele que leio e é o mais delicioso. Morando a mais de dez anos em Paris, ele nos dá receitas enquanto fala de como é viver e comer na cidade. Com fotos, capa dura, é um livro bacana da Zahar. Lemos e aprendemos sobre entradas, queijos, sobremesas, pratos principais e também sobre os hábitos verdadeiramente parisienses.
  Dei este livro de presente e é uma bela sugestão. Mas, ops, o Natal já se foi! Então o oferte para voce mesmo. Acho que seria merecido.

AZEITONAS - MORT ROSENBLUM

   Por volta de 1999 a editora Rocco lançou uma série de livros sobre boa vida. Comprei na época 15 dessa coleção de 21. Os de Peter Mayle são deliciosos, mas nenhum é ruim. Este encontrei agora, num sebo. Rosenblum compra uma casa na Provence e topa com oliveiras no quintal. Passa a se interessar e escreve este livro.
   Ele começa delicioso, mas depois vira livro denúncia e perde força. A civilização do Mediterrâneo é descrita com beleza e verdade. O amor dos antigos pela árvore, sua presença em obras de arte, poesia, na Biblia. O calor do azeite, o valor comercial, o milagre que é uma árvore que resiste ao fogo, a inundações, pragas, que vive 500, 1000 anos. Mas depois ele viaja pelo mundo do azeite: Itália, Espanha, Tunisia, Palestina, Turquia e Grécia ( ele ignora Portugal, afinal, Portugal é Atlântico ). A Espanha é de longe o maior produtor de azeite do mundo. E a Itália é o grande vilão. O país compra azeite do mundo todo, mistura tudo e bota no rótulo made in Italy. Os melhores azeites seriam os franceses e os israelenses-palestinos, mas ambos são difíceis de achar.
  Há também a defesa da dieta mediterrânea, a dieta que salva o coração. Azeite, vinho e pão. Alho, cebolas e peixe. Mas Rosenblum deixa uma dúvida: os tais mediterrâneos viveriam muito por causa do sol, da vida mais lenta, do tempo, do ar. Como em NY ou Tokyo não se pode mudar o ambiente, passa a se acreditar na dieta dos povos mais solares...

COMO COZINHAR UM LOBO - MFK FISHER

   É o segundo livro de Fisher que leio. Este foi escrito durante a segunda guerra. O lobo é a fome que rondava a América. Porque mesmo sem conflito em seu território, o país sofria com a falta de comida. Todo o poder americano ia para o esforço de guerra, e assim faltava tudo, de manteiga à gas, de trigo à carne.
   Com seu estilo brilhante, ela ensina a fazer boa comida com pouco, muito pouco dinheiro. Devo admitir que nada do que ela ensina parece muito bom. É comida de guerra e hoje vale mais como curiosidade histórica. Mas uma coisa, ainda viva, se percebe no texto, coisa da qual Fisher fala com raiva em 1942 e que repercute ainda em 2016: O puritanismo americano que se revela inclusive no modo de comer.
   Comida não pode ser sensualidade no modo puritano de pensar, e assim o ato de comer é modo limpo, prático e rápido de se matar a fome. Sempre que um jantar se revela algo mais que isso, é logo chamado de estrangeirismo, europeísmo ou ostentação pecaminosa.
   Americanos comem pão branco que não cheira e não tem gosto, bebem café preto ralo ou chá, e almoçam milho, ervilha, batata e carne, tudo feito do modo mais simples e em grande quantidade. Inexiste o prazer do molho que leva horas para ser apurado, se desconhece o azeite, o vinho, o cozido que é temperado dias antes, os miúdos, as frutas em doces mirabolantes. A cozinha americana em sua raiz é austera, rígida, sem cheiro, sem consistência e muito cinzenta.
  Hoje muita coisa mudou. Mas nos programas de TV continuamos a ver que 90% do que eles comem é composto de coisas fritas em gordura e doces grosseiros. Azeite continua a ser esquecido, vinho só em celebração, vegetais mais nobres só como ostentação.
  Assim como acontece com seu modo de retratar o sexo ( varia entre coisa doentia ou festa de teenagers ), a comida aparece como mais uma função física do que um prazer da alma.
  No Brasil urbano é quase a mesma coisa. Carne frita, arroz e feijão devorados para matar a fome. Mas revelamos nossa latinidade católica em nossas batidas de frutas, nos doces lusitanos, no tempo para fazer uma feijoada decente. O Brasil do churrasco é o novo Brasil. O velho é aquele da feijoada com caipirinha.

A FISIOLOGIA DO GOSTO - BRILLAT-SAVARIN, A BÍBLIA

   Em 1825 Brillat-Savarin, politico, bon vivant, homem de letras, lança este seu único e despretensioso livro. Nele, ele fala de comida, da fome, da gordura, de jantares, de química, de história. Conta memórias centradas no prazer de comer, no afeto a amigos, na evolução de hábitos. Foi meu amigo Fabio Pagotto quem me indicou este livro, uma edição bonita da Companhia, de 1995. Belo livro. É o inicio da moderna gastronomia, no sentido de aqui se iniciar o livro não como simples "livro de receitas", mas como obra sobre o ato de se alimentar.
 O estilo é o do século XVIII. Savarin era leitor de Voltaire e de Bossuet, e mesmo sendo o livro de 1825, seu estilo é aquele dos 1700. É brilhante, leve, muito refinado, bastante malicioso, e extremamente civilizado. Leio a primeira linha e imediatamente sinto a música da época mais civilizada do mundo. É como ouvir Mozart ou Vivaldi, estamos longe da barafunda romântica. Nada de confissões, são linhas de gosto. Muito bom gosto.
 Se comia muito naquele tempo. E se bebia mais. Os jantares têm perú, cabrito, peixes, ostras, saladas, frangos, perdizes, javalis, tudo servido inteiro, às centenas. São refeições de cinco horas, cada um bebendo de 4 à 6 garrafas de vinho, sobremesas de frutas, compotas, bolos, geleias. Café e chocolate, açúcar, licor. O autor fala de como o café surgiu, da chegada do chocolate à Europa, da febre por açúcar, dos novos licores. É um mundo de abundância e de pouco cuidado com a saúde, um mundo de prazer irregrado.
 Uma leitura deliciosa.

NUNCA TREZA À MESA - ORIETTA DEL SOLE

   Adultos ainda pegam um livro para ter prazer...Pergunto: Você lê um livro sem nenhum outro interesse a não ser sentir satisfação no ato da leitura...
  Vejo gente lendo livros "leves" que na verdade são livros "de aprender". Aprender a ser feliz, a ser otimista, a encontrar o amor, a ganhar dinheiro. Os best-sellers atuais trazem quase sempre algo de " útil " encartado. É como se um livro fosse obrigado a ensinar ou a provar algo.
  A literatura policial era a última a ser entretenimento sem culpa, mas agora até eles trazem na rabeira o dever de "denunciar" ou de "esclarecer". E a literatura infantil, que já foi terra da repressão educativa, e que depois, graças a gente como Lewis Carroll e James Barrie, se tornou o mundo do prazer sem razão; volta a ser lugar de educar e de ensinar. Um livro para crianças tem de ser um livro que agregue valor a vida da tal criança.
  Então eu digo vivas à Harry e à Frodo!
  Este livro, de Orietta, é apenas um belo livro de uma italiana rica que morou no Uruguai, na Argentina e em SP. Ela fazia arte e recebia gente para comer. Era fútil portanto. E o livro é fútil. E por isso eu gosto. Ele é bonito.
  Cairei em contradição ao dizer que ela nos dá dezenas de receitas de massa. Mas há um adendo: são receitas caseiras, chiques, mas démodé. O foco não é ensinar a cozinhar. É agradar o leitor.
  Livros são caros. Eu exijo que me tragam prazer. O prazer pode ser filosófico, o prazer de saber, de entender e de descobrir. Mas há também o mais nobre prazer " prazeroso", o gosto em ser agradado.
  Que mais livros bobos sejam editados então.

A ARTE DE FAZER UM GRANDE VINHO- EDWARD STEINBERG

   Este livro é uma droga! Muito mal escrito. O autor leva todo o texto em um estilo de jornal que nos deixa enjoados em 30 páginas. É como se o livro começasse a cada capítulo, o texto não flui, ele tranca e se enrola.
  Algumas coisas são interessantes: saber que foram os ingleses, lá no século XVII que criaram a mística do vinho. Saber que então, e até os anos 70 do século XX, vinho fino era só o vinho francês. Principalmente os de Bordeaux e da Borgonha. Ingleses ricos idolatravam esses vinhos e o vinho do Porto. Só eles eram levados a sério em todos esses séculos. Todos os outros, e nisso se incluem todos os italianos, eram vinhos baratos.
  Angelo Gaja começou a mudar isso nos anos de 1960. Aprendeu com os franceses os segredos do grande vinho e começou a aperfeiçoar o Barbaresco. A partir dos anos 80 acontece a revolução. Vinhos da Itália passam a ser objetos de culto.
  Interessante notar que o primeiro vinho a ser considerado fino, fora da França e do Porto, foi o vinho do Reno, os alemães brancos, vinhos deliciosos que foram destruídos nos anos de 1990. Nessa década o mundo se abriu à Califórnia, Espanha, Chile, Austrália...e neste século à Africa, Nova Zelândia...
  O autor descreve o plantio, o trabalho das bactérias, o tempo de vida do vinho, o mercado. E com um tema tão rico ele consegue nos dar um livro chato.
  Uma pena...

UM ALFABETO PARA GOURMETS - M.F.K. FISHER

   Faz 20 anos que a Companhia das Letras lançou este livro. Merece uma reedição. Mary Frances Kennedy Fisher nasceu em 1909 e este livro é de 1949. Na época, Auden disse que ela tinha o melhor texto em inglês. Os amigos a pressionavam para que dedicasse sua escrita sublime a coisas mais nobres que comida. Não entendiam que para ela nada era mais sublime que comer. E beber.
  Ela nasceu numa família rica e feliz. Casou jovem e foi morar em Paris. Se casou mais algumas vezes e voltou aos EUA, Califórnia, Hollywood. Foi amiga do pessoal que fazia filmes. Não toca no nome de ninguém, nunca fofoca, ela é fina.
  O livro, pequeno, elegante, fala de seus jantares inesquecíveis, de bebidas favoritas, de noites mágicas, de modas efêmeras, tudo escrito com um estilo saboroso, leve, borbulhante. Ela não escreve sobre comida, ela escreve sobre a vida, e por acaso, para ela, viver é amar, e para amar se deve comer. Na verdade o amor é tão discutido no livro como a comida.
  A escrita ainda nos revela como era a comida americana nos anos 40. Nada de muito diferente. Talvez menos frango e mais caviar. Menos whisky e mais gim. França e Itália dominavam a culinária. Ainda dominam hoje. Mas em 1949 eram apenas os dois. Iguarias hoje mais raras eram um pouco mais comuns. O caviar era comprado por quilo. O salmão era caçado.
  O mais divertido são os cardápios que ela tem dos reis ingleses de 1600, 1700... Era carne, carne, carne e mais carne. E coisas estranhas como línguas de cotovias, patas de tartaruga, rins com calda de mel...Tudo era misturado, doce com miúdos, frutas com sangue. Em toda refeição eram 8 pratos principais, 20 entradas diferentes, 12 sobremesas diversas e mais uma centena de acompanhamentos ( que nunca eram tocados ). São esses acompanhamentos que hoje fazem a base de nossos pratos mais comuns.
  Um livro que a gente lê devagar. Com calma. Um prazer de mesa, sofá e cama.

PIQUENIQUE NA PROVENCE- ELIZABETH BARD...AFINAL, ESSE LUGAR EXISTE MESMO...

   O primeiro contato que tive com essa mítica Provence foi lá por 1992, quando tomei contato com os trovadores do século XII. Ou...espere, foi antes! Nos anos 70 vi um filme do Philipe De Brocca que se passava por lá. Esse filme mostrava uma vila cheia de gente sorridente e sexy, vivendo entre vinho e flores. Depois, já neste século, li os livros de Peter Mayle. TODOS. A Provence de Mayle é um sonho de simpatia. E a vida que ele descreve é bastante privilegiada. Por mais que ele fale de suas aflições com serviços, contas altas e pisos gelados, é uma vida de fartura e de mesas de mármore. Mayle come e bebe. E nada mais que isso.
  Aqui é diferente. Elizabeth é uma americana que se casa com um francês e numa viagem de turismo, já casada, se encanta por uma minúscula casa de vila. Os dois se mudam de Paris para lá e logo ela engravida e tem seu primeiro filho. Além disso, ela é judia e tem depressão. O melhor do livro é isso, Bard compara a vida americana à francesa e a França vence em seguro social, comida e saúde. Além da natureza e do tempo livre. Os EUA vencem na aceitação da religião alheia e em simpatia. Só isso. De todo modo, Bard, que se apaixona pela Provence, tem muito de outsider e mesmo a maternidade lhe é difícil. Ela precisa aprender a ser mãe, a ser francesa e a ser dona de casa.
  É um livro leve, solar, com alguns momentos cinzentos. Elizabeth Bard se mostra muito mais humana que Mayle. Embora Mayle divirta mais. Gostei muito e recomendo este livro lilás.
  Quanto a Provence...recomendo a Bretanha. Vento, seca, muita poeira e muita pedra. Tórrido no verão, gélido no inverno. Caro, bem caro. O "romantismo" que voce espera achar na Provence vive na Bretanha, na Champagne, ao redor de Estrasburgo. A Provence é dura. Encanta ingleses por seu calor. E agora, mais ainda, por ser moda. Mas não é o lugar mais belo da França. Nem o segundo ou terceiro mais belo. Mas...escrever um livro com o nome "COMO VIVER NA PROVENCE" venderia mais que "VIVENDO EM BORDEAUX"...
  É isso.

O FRANGO ENSOPADO DA MINHA MÃE- NINA HORTA

   Assim como às vezes amamos a comida simples da mãe, também precisamos de livros como este. Nina Horta, quituteira veterana, escreve curtas crônicas sobre assuntos vários que acabam todos por fim em comida. Ela escreve bem, naquele estilo cheio de sabor calmo, brasileiro, sabor que temos perdido. Festas, casamentos, pratos, lembranças, ruas. Os temas são triviais como arroz com feijão, mas abrem desejos, como arroz e feijão. Posso dizer, e digo, que o livro exala aroma e que a melhor crônica fala sobre o prazer de se ter um quintal com jardim.
  Prazer que entendo. Pra mim um quintal é mais que desejo satisfeito, ele é a fábrica onde aprendemos a desejar.

A DOCE VIDA EM PARIS um livro de DAVID LEBOVITZ

   Fecho o ano sempre com coisas de boa energia, ensinamentos de prazer, de bom viver. Assim, costumo assistir musicais, ouvir músicas que me deixam em êxtase e ler livros sobre viagens, bebidas, comida. Apenas o prazer é permitido.
   Neste divertido livro, um americano viaja à Paris com o objetivo de aprender mais sobre culinária. Chocolates é seu alvo principal. David mostra Paris sob os olhos de quem não é rico. Ele anda pelas ruas, mora num apartamento pequeno e precisa de trabalho. Assim, os lados bons e ruins da cidade são descritos. De pior, o egocentrismo do parisiense típico. O modo como eles furam filas, esbarram nas ruas, urinam nas esquinas, têm banheiros feios e pequenos, dirigem de modo suicida, amam a burocracia, riem pouco, fazem o pior café do mundo, e pouco se importam com dietas, câncer de pele e os males do fumo.
  Mas há todo o lado bom, que acaba por fazer com que ele more definitivamente por lá. O apuro em se vestir, a beleza física de simples vendedores de peixe, as feiras de rua, as padarias, o serviço de saúde público ( o melhor do mundo ), o prazer de andar pelas ruas, o chocolate, o capricho, a sabedoria na arte de viver bem.
  David exibe os detalhes de sutilezas que diferenciam a América, e cada vez mais nós, brasileiros, com eles nos parecemos; e franceses, com quem nós aqui, cada vez menos nos parecemos. Da administração do tempo ( tudo lá acontece no tempo lento dos latinos ), ao modo de se cumprimentar ( tudo deve começar sempre com um bonjour monsieur, de uma ida à loja à uma consulta ao banco ).
  É um gostoso livro para dias em que a gente está em movimento e requer leitura simples e leve.

VIVER É COMER, UM DIÁRIO DE AMANTES DA GASTRONOMIA- JAMES E KAY SALTER

   Saiu agora este livro que tem cara de férias. Na capa, cor de pêssego, uma linda gravura. Uma taça de tinto, um prato com Roquefort, pão, uma faquinha com cabo de osso. Um livro antigo, sopa de cebola, pão tostado, queijo ralado e flores. Fabrice Moireau ilustrou o livro. Os desenhos são perfeitos. Realistas e etéreos. Pequenos.
   O livro é organizado como um diário. Cada página é um dia e em cada dia há um texto sobre alguma coisa relacionada a comida ou bebida. De Balzac à Nero, de Raleigh à Don Johnson. Por exemplo, pego ao acaso o dia 29 de maio. Nesse dia eles falam de Bulwer-Lytton, que cunhou uma bela frase sobre o paladar. Ou então, no dia 6 de junho, se fala sobre o linguado. O motivo de se falar do linguado em 6 de junho é explicado no próprio texto.
   Confesso que esperava muito mais do livro. Ele é bem feito, bonito, mas lhe falta o principal, leveza. O texto é pobre em espírito. Poesia ausente, humor nenhum. Voce lê com prazer por causa, e só por causa, do tema. O estilo, inexistente, quase destrói a delicia do tema.
   De qualquer modo foi um belo presente. Presente que objetivou o prazer. O verão. O tempo livre. Valeu.

Á MESA COM MONET, DE CLAIRE JOYES, NAUDIN E ROBUCHON, VIVER COM GOSTO

   A editora Sextante lança dois livros nesse estilo ( e cheios do mais graúdo style ), "'A mesa com Proust", que ainda não li, e este. Terei de ser didático com voce? Penso que voce sabe da história desse admirável homem chamado Claude Monet. Então, claro, voce conhecer Giverny, a casa de campo, perto de Paris, que ele construiu. O jardim, as hortas, e o lago, tudo feito como se fosse "selvagem", natural, a toa; e tudo de uma precisão estética insuperável.
   O título engana. Não vamos apenas a mesa, entramos no dia a dia do pintor. Sua rotina é descrita. Seus pic nics e seus jantares. O que ele comia, bebia, pedia. Comida feita por batalhões. Comer bem em 1900 dava trabalho e levava tempo. Aliás, o texto, belo e com sabor francês em ritmo e dicção, de Joyes, ressalta o tempo. Ela nos recorda que Monet foi dos primeiros franceses a ter automóveis em casa. Sua esposa amava a velocidade dos carros. Monet foi dono de três máquinas fumarentas. Um de seus amigos, um dos muitos, Heredia, abominava. Numa bela frase do livro ele diz que passear de automóvel destruia a capacidade de apreciar a viagem. Num carro toda árvore deixa de ter individualidade, ela vira apenas mais uma árvore. seja castanheira ou carvalho, apenas um monte de folhas que passa...
  A obra, em capa e fotos bem cuidadas, é um prazer. Os amigos entram na casa, louças amarelas e azuis, paredes amarelas, lilás, e sentem o aroma: patos, tomates, vitela, galinhas, omeletes, saladas, sorvetes, tortas, frutas. Pêssegos, uvas, bananas, melão. Vinhos e champagnes. O marc e o calvados. Chá e café. Chocolate. O dandy Whistler, o melhor amigo, Rodin, o bem-vindo Mallarmé, Paul Valéry, Clemenceau, Sacha Guitry...e Degas, Renoir, Pissarro...Se come, se canta, se caça, se ri muito. A familia enorme, os genros americanos, ingleses, Sargent.
   Terminar 2013 lendo esta delicia é uma homenagem a este belo ano que se vai e a este belo ano de 14 que começará.
   Paz, cor e calma. Luxo. É isso.

SÓ COM AZEITE

   E a gente reclamava do Benito di Paula!!!!
   O tal Show da Virada mostra aquilo que é a música deste tempo. Tá bom cara, eu sei que o underground tem coisa muito melhor! Mas arte é sempre atemporal, o que se torna retrato de seu tempo é aquilo que ouvimos na rua, nas novelas, nos comerciais, no rádio, em todo canto. Os anos 80 tiveram Husker Du, The X e o sublime Lloyd Cole, mas o retrato do tempo é Michael Jackson e Madonna.
   E o que temos em 2012/2013? Um monte de cantores barrigudos que são chamados de lindos, com suas calças justas e seus paletós ( que minha mãe diz se parecerem com pano de chão ), estourando de tão justos. As melodias variam do sempre igual ao sempre ruim. TODOS são bobíssimos. Pior é o que eles tentam falar! O assunto é um só: sexo. Sexo como festa, sexo como gozo, sexo como corno, mas sempre o sexo. Não existe mais nada nesse mundo de bundas gordas e rostos sorridentes.
   Os nomes que vou citar são ruins, mas digo com dor na alma, perto do Ximbinha, são gênios!
   Silvio Brito, Wando, Gilliard, Peninha, Agepê, Guilherme Arantes, Originais do Samba, Benito di Paula...esses os Ximbinhas de 1978.
   Em 1974 eu escutava aos domingos de manhã as 10 Mais da Rádio América AM, mais popular era impossível. Secos e Molhados, Roberto Carlos, Raul Seixas, Tutti Frutti, e os cantores brasileiros que cantavam em inglês: Steve MacLean e Crystian. Desses nomes, alguns são geniais, todos são muito melhores que qualquer das duplas atuais.
   Se eu apelar posso dizer que o Show da Virada de 1970 teria Simonal, Tim Maia e Tony Tornado. Que se passa?
   Mudo de canal e vejo um festival inglês ( não é Glastonbury ). Afff!!!! TODAS as bandas imitam punks de 1978 !!!! TODAS, sem excessão! Chegam até a cuspir, pular e fazer caras e bocas dos Stiff Little Fingers ou de Howard Devotto. Qué isso nego???? A história do rock acabou? Paramos em 1987 e daí pra frente é só imitação? As discotecagens em Manchester '87 foram o fim? Todo o resto, seja Nirvana, Radiohead ou Dandy Warhols, apenas misturas de coisas velhas com sotaquezinhos novos?
   Então vamos jogar fora essa bosta e partir pra outra coisa! Música do Iraque, dos ciganos, do Haiti, tudo menos essa merda de cópias do Sham 69 ou dos Stranglers. Calça skinny com All Star!!! Again!!!!!!
   Repetimos o mesmo faz tanto tempo que se em 67 fosse assim  Mick Jagger se vestiria como Chaplin !!! E cantaria como Al Jolson !!!
   Carla Bardi, AZEITE DE OLIVA. É isso, tudo que voce precisa saber sobre ele. Belas fotos e boas receitas. Vem embalado em lata de azeite. Lindo. E nada caro. Adorei !!!
   É o que falo: Música e Cinema estão um lixo, mas os livros....Que beleza!!!!!!
   Bonne Anné !!!!

LIÇÕES DE FRANCÊS - PETER MAYLE ( COMER É BOM )

Uma refeição inesquecível. Penso que todos nós temos aquele almoço, aquele jantar que fica na memória. Este livro de Peter Mayle ( voce deve ter notado que nesta época do ano não leio nada de muito dificil. Férias ! ) fala sobre um inglês, povo avesso a comida, descobrindo a riqueza de sabores franceses. Afinal, tudo o que os ingleses têm é fritas com peixe e pudim de rim.
Quem nasceu numa família européia sabe o quanto eles falam sobre comida. Lembranças dos pêssegos da infância, das cerejas e dos figos. Todo dia é dito : "É tempo das uvas !" ou " Hora das melhores linguiças ! " É uma verdadeira doença ! Benigna doença ! Festas só têm sentido por seus pratos. O grande lance do Natal não são os presentes, os enfeites ou seu simbolismo. São os pratos que serão comidos. O livro diz, e eu já havia notado, que a maior parte do orçamento mensal de um europeu latino é gasto com o estômago. Seu carro e suas roupas ficam muito atrás...
Peter Mayle escreve leve, fácil, gostoso. É um inglês que descobriu o sol, o prazer sensual, o tempo vagaroso. Nos leva pelas festas da rã, dos vinhos, da trufa fresca. Nos ensina a fazer uma omelete, a apreciar um pastis e a entender um café. E nos seduz com queijos, pão e conhaque.
Ficamos pensando na vulgar tolice desse café em copo de isopor e em como a cultura americana é toda baseada na poupança do tempo. Rapidez sempre. O serviço e o savoir faire ficam completamente esquecidos. Traga-me um café enfeitado e rápido. O gosto.... quem pensou que o sabor é importante ? Entendemos porque a agricultura francesa é subsidiada. Não há como continuar fazendo queijo e champagne decentes sem proteção contra alimentos industrializados.
Recordo então de meu primeiro café da manhã em Courbevoie e na variedade de geléias, queijos, tipos de pães e de doces que há no café da manhã gaulês. Meus tios estão longe de serem ricos. São trabalhadores comuns. Mas eles gastam muito em comida, em vinho, e principalmente, em tempo. Para eles ( e sei que esse costume está mudando ) é inadmissível comer em menos de duas horas. Uma salada, dois pratos quentes, pão e queijos, vinho e frutas, esse é o mínimo para fazer um homem feliz. E como comem !!!!! Você acha que a refeição terminou e eis que vem mais um prato ! Fatias de melão com presunto crú, alface com azeite e queijo brie, perna de cabrito, batatas sautée, vagens e cenouras, galinha assada ao mel, mais queijos, copos e copos de vinho tinto, pedaços de baguette com manteiga, omelete de cogumelos, e mais carne, e mais queijo !!!!! E no fim, para descer tudo, Calvados e café. Caramba !!!!!
Nossa cultura made in USA nos deu coisas que eu realmente adoro : cowboys, rock, jazz e o melhor cinema. E ainda skate, surf, rap, e uma informalidade que me agrada. E nos trouxe maravilhosas panquecas, sucrilhos em que me vicio e milk-shakes gigantes. Mas é uma cultura muuuuuuuito diferente da latina ! Há um excesso de eficiência que rouba o tempo a tudo. O que importa é quanto voce faz em menos tempo, e nunca o que voce faz. Há um desejo em se estufar a barriga e não em comer com conhecimento. Gostos puros e simples : muito doce ou muito salgado. Não existe a riqueza de gostos estranhos ( trufas, rãs e escargots ). Coca no lugar do vinho. É o tal do café com sabores...
Comer no quintal, gastando meio salário e desperdiçando toda a tarde à mesa... esse é um costume europeu, de italianos, portugueses, alemães ( mas não de ingleses ). E de brasileiros com seus churrascos com cerveja ( o churrasco poderia ter maior variedade ! ) O café na padaria, em louça ou vidro, com cheiros fortes de manteiga, de chapa, de sonhos; com fregueses falando alto, conversando com o balconista, abrindo o jornal. A delícia que é um pão quente com manteiga pingando... Manteiga.......
O livro fala dessas coisas. E dessa estranha forma de vida que é o francês. Esse bicho que adora discutir, que pensa ter sempre a razão e que é guiado por seu estômago. Onde cozinheiros são super-estrelas e restaurantes são catedrais. O prazer à mesa é rei.
O Natal vem aí... faça deste uma data de mesa inesquecível. Se dê um gosto nunca sentido e um ritual informal de glutonaria explìcita. Vinho, queijos, conhaque, café, manteiga e azeite. Sacie a fome por vida. Tudo ao sol e noite adentro, com prazer. Talvez a vida seja só isso...