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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

EU E EU- PERSONA- BERGMAN- EU MAIS NADA

Cenas que parecem não fazer sentido. Farão. Quero não ver. Vejo.
Aridez. Um menino se ergue de cama. Um rosto imenso na parede. O toque. Tudo é branco. Tudo é vazio. Ingmar sabe como é nosso inconsciente. Desolado e sem tempo. Eterno agora.
Atriz ficou muda. Enfermeira cuida dela. Quando vão para a praia o filme começa.
( Ignácio Araújo disse que hoje indicar Morangos Silvestres para alguém é considerado ofensa pessoal. Tristes tempos em que pensar é desejar o mal ).
Na praia. É uma ilha?
Somente a enfermeira fala. Bibi Andersson. Liv Ullman está muda por todo o filme.
Mas não há uma cena em que ela fala?
( Pauline Kael diz que a cena em que Bibi descreve uma transa na praia é "a única cena em cinema que entende o erotismo" ).
O filme começa a penetrar fundo, muito fundo em minha mente.
Sinto medo.
( Bergman foi filho de pastor. O pai lhe batia e depois exigia beijo na mão. A mãe variava entre frieza extrema e calor amoroso. Foi assim que Bergman aprendeu a observar rostos esperando o que viria a seguir. Ninguém filma faces como ele. E segundo Isabela Boscov, só ele tem a altura de seus temas- o sentido da vida. )
Começo a viajar no filme.
Seria Liv Deus? A enfermeira somos nós falando com Deus? Ele estaria mudo? Com Sua face de calma e indiferença? O sofrimento atroz de Bibi seria nossa dor? Onde Ele está?
Talvez não.
O filme se rompe literalmente. Precisamos ver sem a película.
Chega um homem que conhece a enfermeira.
Mas então as duas são uma? Ela seria a máscara e a outra a alma? Mas sendo assim a solidão deste filme é insuportável. Nossa vida nada mais seria que um diálogo entre eu e minha persona. Pior: diálogo onde um dos dois é mudo.
Falar com Deus também é falar com um mudo.
Mas há o rosto.... Bergman é o menino e as duas são sua mãe.
O desespero do filme é o desespero de um menino ( desprezado ) que tenta se comunicar com a mãe e falha sempre.
Mas é um filme apenas, vemos Sven Nykvist filmando.
O não e o nunca encerram o filme.
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Quando penso em diretor de cinema genial eu penso em Hitchcock ou Kurosawa.
Quando penso em gênio no cinema, penso em Bergman.
Está longe do cinema. Seu mundo é o de artes mais individuais, mais profundas, não espetaculosas.
Em seu alcance existencial, bergman só tem pares na literatura.
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O filme termina ( não termina )
Continua a se passar inteiro dentro da minha cabeça.
Tenho medo de dormir. Sinto uma solidão de gelo.
Acordo com ele dentro de mim.
Persona.
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O novo diretor japonês que também se chama Kurosawa ( e que é muito bom ) diz que na época de Ozu, Akira Kurosawa e Mizoguchi o mundo era mais feliz. Porque se acreditava no cinema. Hoje, tempos de finais, em nada se crê. )
Eu creio em Ingmar Bergman.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

JEAN BECKER/ASQUITH/BERGMAN/BOGART/SOLARIS

CONVERSAS COM MEU JARDINEIRO de Jean Becker com Daniel Auteill
Becker, filho do grande Jacques Becker, é um dos bons diretores franceses atuais ( apesar de já veterano ). Aqui ele mostra uma linda história sobre amizade. Um pintor bem sucedido, pensa em reformar sua horta. Chama um jardineiro, que é, para sua surpresa, um antigo colega de escola. Amor, família, vida. Tudo é falado e vivido pelos dois. O filme jamais se torna chato. Ele flui, leve, colorido, saudável, bonito. Muito bom. nota 7.
O AMOR EM CINCO TEMPOS de François Ozon com Valeria Bruni-Tedeschi
Cansei de Ozon. Seu cinema frio, analítico, me entedia. Um saco este chatíssimo drama. Que me interessa a vida de dois malas que nada têm a dizer ? nota zero.
NUNCA TE AMEI de Anthony Asquith com Michael Redgrave e Jean Kent
Foram 400 anos de teatro inglês para se atingir a excelência da atuação de Mr. Redgrave. Ele é um anti-"sociedade dos poetas mortos". Um professor chato, duro, amorfo. A cena em que sua fortaleza desmorona é de uma comovente verdade. Redgrave se reclina, lendo uma dedicatória, e chora de costas para a câmera. O choro não é teatral, é contido, doído, magistral. Um filme absolutamente perfeito, levado com nobresa pelo elegante Sir. Asquith. E com um ator que é um Mozart do palco e da tela. Inesquecível e obrigatório. nota Dez!!!!!
O TÚMULO VAZIO de Robert Wise com Boris Karloff e Bela Lugosi
Muito bom esse Wise. Em mais de trinta anos de carreira dirigiu musicais como West Side Story ou A Noviça Rebelde; e mais faroestes, policiais e um clássico como O Dia em que a Terra Parou. Este é seu segundo filme, um terror da RKO. Karloff está muito bem, compondo um fascinante vilão. nota 5.
HORAS DE TORMENTA de William Wyler com Humphrey Bogart e Frederic March
Na velha Hollywood, quatro diretores eram todo-poderosos : George Stevens, Frank Capra, John Ford e principalmente William Wyler. Um diretor considerado até hoje o mais " capaz" da história. O que significa esse "capaz" ? Que Wyler nunca errava. Jamais alguém poderia chamá-lo de gênio, ou de ousado; mas ele era a certeza de fluidez, competencia e muita inteligência. Ele sabia fazer, sabia dirigir atores, sabia narrar. Conquistou três prêmios de direção e mais seis indicações não premiadas. Dirigiu de tudo : musical, western, filme noir, romance de fadas, filme de arte, de tribunal, comédia maluca, filme de guerra. De Ben-Hur à Princesa e o Plebeu. Sempre acertando. Este é de seus últimos filmes. Bogart é um muito desagradável bandido. Invade uma casa e mantém a família como refém. O filme é um duelo entre Bogey e o chefe da casa-March. Um filme tenso, rico em desdobramentos e que flui com rapidez. Um tipo de filme de Scorsese antes do tempo. Muito, muito imitado. Nota 8.
JUVENTUDE de Ingmar Bergman com Maj-Britt Nilsson
É impressionantemente o décimo filme de Bergman. Aos 30 anos!!!!! Bom tempo em que um diretor de trinta anos já dirigira dez filmes... Ele considerava este seu primeiro trabalho "de verdade". É sua primeira obra-prima. E talvez, seu filme mais simples. Uma bailarina, aos 28 anos, sente-se pela primeira vez na vida, "velha". Ela viaja à uma ilha, onde recorda um amor que viveu aos 15 anos. O filme é sómente isso. Uma sessão de terapia onde vemos a bailarina tomar consciência de quem ela foi, é, e será para sempre. Mas é também, como Bergman sempre faz, muito mais. Trata-se de uma exposição. Mostra a vida dos adultos em contraste com os jovens. Uns, cínicos, cruéis, desesperançosos; e os jovens, leves, risonhos, apaixonados, crentes. As cenas de namoro entre o jovem casal são reais, graciosas, e maravilhosamente atuais ( o filme é de 1951, mas, que estranho, parece ser de 2009 ). Maj-Britt, mais uma das maravilhosas atrizes de Bergmann, linda-moderna-enfeitiçante, tem uma atuação natural, uma menina cheia de sexo, de encanto e de alegria. Mas seu rude amadurecimento nos corta a respiração, porque é exatamente como se dá com todos nós : um amadurecimento amargo, cruel e surpreendente. Tudo que Bergman faria depois já se encontra aqui : a beleza da fotografia ( há filme mais belo que este ? ), as falas solenes, os atores geniais, a preocupação com sexo/morte/alma. Um encantador trabalho, um leve e delicioso filme, onde roteiro, música e atores se esmeram em criar duas horas de absoluto prazer e de intenso drama. Gênial. nota Dez!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
SOLARIS de Andrei Tarkovski
É tido por obra-prima. Que nota darei ? A fotografia é linda ( há uma cena com um cavalo de estarrecer de tão bonita ), o roteiro é poesia filosófica, a câmera é precisa. Mas o que dizer ? O filme tem o único defeito que não poderia ter : é grotescamente chato. O divino Oscar Wilde já dizia : perdoamos tudo em alguém. Ele pode roubar, pode mentir, pode ser falso e enganar, mas ser chato é imperdoável. nota zero!!!!!!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

morangos silvestres, a vida é um círculo

Aqui no ocidente, somos educados a acreditar que a vida é uma reta. Partimos de um ponto e caminhamos em direção a outro ponto. Esse ponto final pode ser o nada, Deus ou o cosmos, não importa, enxergamos sempre uma estrada reta à nossa frente.
Para o oriental, a vida é um círculo. Não existe ponto de saída, não existe ponto de chegada. Estamos eternamente repassando pelos mesmos locais e momentos. O antes é o amanhã e o ontem se repete no futuro.
Morangos Silvestres já foi meu Bergman favorito. Hoje eu prefiro O Rosto. Mas como dizer qual o melhor ? Um artista de tal nível transcende julgamento. Seus filmes são concretos, estão alí, reais e eternos. Não precisam de nossa opinião. Permanecem no circulo, estão fora do tempo. E Morangos Silvestres fala exatamente disso : o tempo.
Um velho escreve, sonha, viaja de carro e " retorna à sua casa de infância ". O que acontece ? Penso, agora assistindo o filme pela quarta vez, que na verdade esse professor já está morto quando o filme se inicia. O que assistimos não é sua memória, mas sim, sua entrada no paraíso. Será ? Hoje penso que sim.
Leio que o jogador Adriano está morando na favela. Um belo texto na Veja sobre isso. Não é questão de cultura, é questão de espírito : o lugar onde pela primeira vez fomos felizes é nosso paraíso. A primeira manhã, o primeiro amor, a primeira brincadeira, a magia da descoberta. Para Adriano, a favela será para sempre o seu ninho, sua perfeição, sua beleza.
A última cena de Morangos Silvestres é uma das mais belas já filmadas. O professor enxerga seus pais pescando, os pais o percebem e acenam. Ele acena e os olha : um olhar único : o velho senhor se torna uma criança diante de nosso olhar maravilhado. Ele acaba de adentrar o paraíso. Pois é isso que todo grande artista faz, nos exibe céu e inferno, mesmo que não o queira ou saiba. E cada vez mais me convenço disso : viver é andar no círculo : nos afastamos da infancia e a ela retornamos para nos afastar outra vez... se soubermos perceber.
Como julgar este filme ?

terça-feira, 7 de outubro de 2008

o filme mais sinfônico-FANNY E ALEXANDER

Bergman realizou FANNY em 1983. É seu testamento, seu último filme para cinema, seu legado ( como bom pessimista, ele imaginou estar perto do fim. Ainda viveu 24 anos...).
O filme é uma perfeita sinfonia e se a grande arte sempre aspira a ser música, Fanny é arte perfeita.
Ele começa em acordes leves e vagos, cresce em festa de sons harmônicos e coloridos, irrompe fortíssimo em graves dissonancias lúgubres e se encerra numa coda cheia de fúria, magia e mistério.
Mas do que fala o gênio, o mestre, o mais inteligente dos cineastas ?
Da luta entre alegria e dor, da disputa entre liberdade e repressão, saúde e neurose, arte e religião, fantasia e tédio, Deus e o homem. É um compêndio de todos seus filmes anteriores, de todas as suas dores e alegrias e recorda muito Shakespeare- A Tempestade ( um mago recontando sua obra e sua magia ).
Raras vezes um filme mostrou cenários tão ricos em beleza e complexidade, raras vezes tantos atores foram melhor dirigidos ( o final, quando se fala da gratidão aos atores é de se aplaudir de joelhos ), raras vezes um filme foi melhor.
Bergman captura nosso cérebro e o leva para uma viagem. Através do olhar de um menino ( Alexander ) assistimos seu crescimento, suas dores, sua revolta e seu maravilhoso humor ( o filme tem duas das falas mais hilárias já vistas ). Nos apaixonamos por sua família, odiamos certos agregados e tememos seu destino. Tudo em ritmo perfeito, uma variação entre cenas longas e curtas, movimentos elaborados de câmera ou fixidez formal, solos ( monólogos ) ou grupos de até vinte atores atuando em grupo ( coisa que hoje ninguém mais tenta ).
Tudo está neste filme. Comédia amarga e drama insuportável. Citações de PERSONA, GRITOS E SUSSURROS, MONIKA, MORANGOS SILVESTRES, O ROSTO... estão presentes os atores que aprendemos a amar, a fotografia do mestre Sven Nykvyst, a música de Schumann e Britten, as preocupações do cineasta que melhor representou a dor do mundo moderno.
É estranho o fato de que meus cineastas favoritos sejam Kurosawa, Hitchcock, Hawks, Ford, Murnau, Lang... mas é Bergman que fala, pensa e mostra aquilo que vivo, penso e gostaria de expressar. Não sei se ele foi o melhor dos diretores, não sei se ele sobreviverá neste mundo cada vez mais acéfalo; mas ele conseguiu fazer do cinema UMA ARTE NOBRE, nobre como Shakespeare, Mozart, Shelley e Rembrandt.
FANNY E ALEXANDER é obrigatório para qualquer amante da vida, do cinema, da cor. Ele é estranhamente feliz, alegre, vivo e subitamente trágico. Nietszche.
Um filme que é uma vida, um espírito livre, eterno como um homem, belo como um segundo, feito com profundo amor pela arte, imensa criatividade e potencia criativa sem igual.
Mágico, único; INCOMPARÁVEL.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O ROSTO

Ingmar Bergman confia em nossa inteligência. Ele realmente acredita em nosso poder de entendimento, de atenção e de raciocínio. Seus filmes são um tipo de homenagem a quem os assiste.
Se houvesse um tipo de paraíso do cinema, Bergman teria a companhia de Kurosawa e dos Irmãos Marx nesse céu. Isso porque seus filmes me fazem bem, me dão paz, prazer, bem estar ( é claro que os trabalhos de Groucho, Ingmar e Akira são diferentes entre sí, mas me dão o mesmo nível de prazer ).
Em seu filme, O ROSTO, um grupo de mágicos ambulantes se defronta com um cientista e o chefe de polícia. O grupo é acusado de charlatanismo e será posto à prova.
Pois bem, Bergman nos coloca em dúvida todo o tempo.
Afinal, Vogler,o mágico, é um mentiroso? A magia que ele faz, é real ?
Dificil continuar elogiando esta obra de arte sem contar seus segredos ( segredos que não posso contar. ) Basta dizer que Bergman assume uma posição corajosa no final, subvertendo toda nossa expectativa.
Conduzido de forma lógica, sem conceder jamais ao melodrama ou ao coração, o filme termina da melhor forma possível. Da única forma cabível.
No mais, a fotografia em P/b de Gunnar Fischer chega a tirar o fôlego, ela é aveludada, suave, quase tátil.
Max Von Sydow está genial, como de costume, e sua face no primeiro confronto é inesquecível ( e reparem como ele muda de cara na segunda parte ).
Um comentário inevitável : onde Bergman conseguia tantas atrizes tão maravilhosamente lindas e tão genialmente talentosas ?
O ROSTO fica assim, como um testemunho de uma mente brilhante que acredita no brilho de quem o assiste.
É necessário mais ?

segunda-feira, 16 de junho de 2008

UM BICHINHO, UM PERIGO, UMA MULHER
Descobri a atriz sueca Harriet Andersson há apenas dois mêses.
Acho incrível ainda ser possível, após tanto tempo assistindo e estudando filmes clássicos, ainda existirem tesouros para serem descobertos.
Harriet iniciou sua carreira em 1951, e vou comentar exatamente esse começo através de 2 filmes : Monika e o desejo, Noites de circo.
Em Monika ela é uma adolescente tosca, com modos e aparencia de camponesa. Ela foge para uma ilha com seu tolo namorado. Engravida, tem um filho, se casam, trai o garoto.
Brigitte Bardot ficou famosa por representar, pela primeira vez, um tipo de mulher sexy que não era uma vagabunda e nem uma musa etérea. BB era uma garota saudável. Com desejos. Ela não fazia um tipo, ela era uma mulher.
Como Goddard escreveu nos anos 60, Harriet em Monika fez isso antes. Neste filme ela não é culpada por nada, não é boazinha, não faz pose de diva, ela é simplesmente uma mulher que deseja sexo. E consegue.
Sua sensualidade chega a ser hipnotizante, e ela tem uma cena de nú ( em 1953 ! ), do mesmo tipo das que BB faria. Ela não posa nua, ela caminha nua.
Bonita, belíssima ela é ( embora para os padrões dos meninos de hoje, ela seja fêmea demais ), mas é uma beleza real, sem artifício, animal.
Num de seus livros Bergman chama Harriet de um dos poucos gênios que o cinema já conheceu. Note bem, Bergman chama Harriet, uma atriz, de gênio. Eu concordo. Porquê?
Hepburn e Bette Davis foram as melhores atrizes que o cinema já viu, mas não eram geniais. Elas faziam tudo com arte e carisma, mas não criavam, não arriscavam. O gênio arrisca, faz o novo, tenta, procura e pode até ser ridículo. Brando era gênio. Giulieta Masina era. E Harriet.
O jovem Goddard nos 50, ainda crítico dos Cahiers, disse que Monika tem o mais belo plano do cinema. É quando, em meio a um diálogo, Harriet se abstrai da conversa e encara de frente a lente da câmera. Ela sai do filme, e como nossa cúmplice, nos encara. Nos tornamos seus amigos, olhamos sua alma, compreendemos Monika e participamos da genialidade.
Goddard faria isso com Ana Karina em diversas vezes, mas aquela foi a primeira vez que um ator sai da cena e encara a platéia ( não como Groucho, que nos olhava sendo Groucho e comentava o filme. Não. Harriet nos olha como Harriet ).
O filme em sí não é um dos grandes Bergman. É apenas isso, um solo de Harriet.
Noites de Circo, feito dois anos depois, é um filme melhor. De uma amargura sem saída, com algumas cenas belíssimas ( o perfeccionismo visual de Bergman é inigualável ).
Um velho dono de circo namora uma amazona ( Harriet Andersson ). Cansado da miséria, ele tenta voltar a ex-esposa, mas é recusado. Ela se envolve com ator rico e esnobe, é humilhada. Os dois, o velho e ela, acabam juntos e derrotados. Apesar desse tema árido, o filme é fácil de assistir, jamais enfadonho e muito bonito sem parecer afetado.
Harriet marca muito, como Ana, a amazona, dando seu show de total sensualidade, parecendo um bichinho mimado, depois uma menina sexy e então, uma camponesa vulgar.
Em tempo, mais um toque:
Mesmo nesses secundários filmes de Bergman, notamos com facilidade algo de original, de único, em cada take, em cada cena. Autoridade. Não houve diretor que passasse mais autoridade. Aquela impressão de que ele sabe do que está falando, que ele sabe segredos, pode nos ensinar a viver, pode desvendar a vida.
No cinema de hoje, a ambição máxima é ser um novo Spielberg, um novo Scorsese. Sinto falta da verdadeira ambição. A de ser um novo Bergman.