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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

HIP- HOP JAZZ, UM PICO DE ESTILO

   Então, em 1989, súbito, eu tive uma das minhas épocas de black music. Que se estendeu até mais ou menos 1995. DE LA SOUL, SOUL II SOUL, ARRESTED DEVELOPMENT, NAUGHTY BY NATURE, A TRIBE CALLED QUEST, PM DAWN, LL COOL J, NENEH CHERRY, DREAM WARRIORS... e principalmente o movimento que unia jazz a hip-hop. Parecia uma coisa inevitável, algum dia alguém iria perceber que o rap era o jazz da nova década. E então, durante curtos dois anos, esse tipo de som, classudo, estiloso, chique, foi a trilha sonora da época. Mas, em meio a avalanche grunge, a onda Manchester e o nascimento do novo techno, os jazzy logo se tornaram passado. Um excesso de divulgação também ajudou a logo torná-los presentes demais, portanto, prontos para ser passée.
   Musicalmente foi uma bela década, e eu entrei nela com esse som. JAZZMATAZZ e US 3 eram o que eu mais ouvia. Reescutando ontem, me surpreendo com o fato de que após tanto tempo ainda gosto e muito de sua sonoridade fluida, funky e muito criativa.
   O US 3 foi lançado pela Blue Note records, e isso quer dizer muito. A realeza do jazz puro dava seu aval ao hip-hop. Mas não era simples rap. Eles usavam scratchs, bateria eletrônica e declamavam as letras, como todo grupo de rap; mas acrescentavam a isso instrumentos de verdade ( sopros, baixo, piano, batera ) e narravam suas letras sem a agressividade do rap, falavam de uma forma soft, cool, maneirosa. O principal: trechos de jazz dos 50's eram sampleados, batidas quebradas, ritmos diferentes, misturas insuspeitas. O histórico disco dos US 3, Hand on the Torch, abre com o MC do Birdland, com sua voz fina ( ele era um anão ), anunciando um show. É uma gravação de um disco de Art Balkey ao vivo, 1956. O que entra é a manjada Cantaloup Island, uma genialidade que tocou tanto em todo canto que se "queimou".  Sampler de Herbie Hancock, com novos solos, é uma música maravilhosamente pra cima, funky, e sem jamais deixar de ser jazzy. Pelo resto do disco, todo ele magistral, o que escutamos são pitadas de Thelonious Monk, Donald Byrd, Horace Silver, Grant Green. Há uma canção toda baseada em solo de Art Blakey que é coisa de gênio. Different Rythms for Different People é seu nome, só escutando pra entender. O refrão é: A bateria é o mais importante instrumento. Depois de escutar, sem dúvida é.
   Ao mesmo tempo gente como MC Solaar na França injetava jazz na veia e soltava petardos cheios de bossa, de estilo, de cool. E o projeto JAZZMATAAZZ punha todo mundo de pé. Mas, infelizmente, como disse acima, esse estilo logo seria liquidado. O Gangsta tomaria conta do rap e as paradas de sucesso ficariam atoladas em R and B e Grunge.
   Para dias de sol e noites de chuva, viagens de carro e trips de barco, não há som melhor. Ouça e sinta o beat. Apesar de agora "datado", este som vai deixar voce leve como um solo de Herbie e quente como uma batida de Art. Vai por mim.

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