Então, em 1989, súbito, eu tive uma das minhas épocas de black music. Que se estendeu até mais ou menos 1995. DE LA SOUL, SOUL II SOUL, ARRESTED DEVELOPMENT, NAUGHTY BY NATURE, A TRIBE CALLED QUEST, PM DAWN, LL COOL J, NENEH CHERRY, DREAM WARRIORS... e principalmente o movimento que unia jazz a hip-hop. Parecia uma coisa inevitável, algum dia alguém iria perceber que o rap era o jazz da nova década. E então, durante curtos dois anos, esse tipo de som, classudo, estiloso, chique, foi a trilha sonora da época. Mas, em meio a avalanche grunge, a onda Manchester e o nascimento do novo techno, os jazzy logo se tornaram passado. Um excesso de divulgação também ajudou a logo torná-los presentes demais, portanto, prontos para ser passée.
Musicalmente foi uma bela década, e eu entrei nela com esse som. JAZZMATAZZ e US 3 eram o que eu mais ouvia. Reescutando ontem, me surpreendo com o fato de que após tanto tempo ainda gosto e muito de sua sonoridade fluida, funky e muito criativa.
O US 3 foi lançado pela Blue Note records, e isso quer dizer muito. A realeza do jazz puro dava seu aval ao hip-hop. Mas não era simples rap. Eles usavam scratchs, bateria eletrônica e declamavam as letras, como todo grupo de rap; mas acrescentavam a isso instrumentos de verdade ( sopros, baixo, piano, batera ) e narravam suas letras sem a agressividade do rap, falavam de uma forma soft, cool, maneirosa. O principal: trechos de jazz dos 50's eram sampleados, batidas quebradas, ritmos diferentes, misturas insuspeitas. O histórico disco dos US 3, Hand on the Torch, abre com o MC do Birdland, com sua voz fina ( ele era um anão ), anunciando um show. É uma gravação de um disco de Art Balkey ao vivo, 1956. O que entra é a manjada Cantaloup Island, uma genialidade que tocou tanto em todo canto que se "queimou". Sampler de Herbie Hancock, com novos solos, é uma música maravilhosamente pra cima, funky, e sem jamais deixar de ser jazzy. Pelo resto do disco, todo ele magistral, o que escutamos são pitadas de Thelonious Monk, Donald Byrd, Horace Silver, Grant Green. Há uma canção toda baseada em solo de Art Blakey que é coisa de gênio. Different Rythms for Different People é seu nome, só escutando pra entender. O refrão é: A bateria é o mais importante instrumento. Depois de escutar, sem dúvida é.
Ao mesmo tempo gente como MC Solaar na França injetava jazz na veia e soltava petardos cheios de bossa, de estilo, de cool. E o projeto JAZZMATAAZZ punha todo mundo de pé. Mas, infelizmente, como disse acima, esse estilo logo seria liquidado. O Gangsta tomaria conta do rap e as paradas de sucesso ficariam atoladas em R and B e Grunge.
Para dias de sol e noites de chuva, viagens de carro e trips de barco, não há som melhor. Ouça e sinta o beat. Apesar de agora "datado", este som vai deixar voce leve como um solo de Herbie e quente como uma batida de Art. Vai por mim.
Musicalmente foi uma bela década, e eu entrei nela com esse som. JAZZMATAZZ e US 3 eram o que eu mais ouvia. Reescutando ontem, me surpreendo com o fato de que após tanto tempo ainda gosto e muito de sua sonoridade fluida, funky e muito criativa.
O US 3 foi lançado pela Blue Note records, e isso quer dizer muito. A realeza do jazz puro dava seu aval ao hip-hop. Mas não era simples rap. Eles usavam scratchs, bateria eletrônica e declamavam as letras, como todo grupo de rap; mas acrescentavam a isso instrumentos de verdade ( sopros, baixo, piano, batera ) e narravam suas letras sem a agressividade do rap, falavam de uma forma soft, cool, maneirosa. O principal: trechos de jazz dos 50's eram sampleados, batidas quebradas, ritmos diferentes, misturas insuspeitas. O histórico disco dos US 3, Hand on the Torch, abre com o MC do Birdland, com sua voz fina ( ele era um anão ), anunciando um show. É uma gravação de um disco de Art Balkey ao vivo, 1956. O que entra é a manjada Cantaloup Island, uma genialidade que tocou tanto em todo canto que se "queimou". Sampler de Herbie Hancock, com novos solos, é uma música maravilhosamente pra cima, funky, e sem jamais deixar de ser jazzy. Pelo resto do disco, todo ele magistral, o que escutamos são pitadas de Thelonious Monk, Donald Byrd, Horace Silver, Grant Green. Há uma canção toda baseada em solo de Art Blakey que é coisa de gênio. Different Rythms for Different People é seu nome, só escutando pra entender. O refrão é: A bateria é o mais importante instrumento. Depois de escutar, sem dúvida é.
Ao mesmo tempo gente como MC Solaar na França injetava jazz na veia e soltava petardos cheios de bossa, de estilo, de cool. E o projeto JAZZMATAAZZ punha todo mundo de pé. Mas, infelizmente, como disse acima, esse estilo logo seria liquidado. O Gangsta tomaria conta do rap e as paradas de sucesso ficariam atoladas em R and B e Grunge.
Para dias de sol e noites de chuva, viagens de carro e trips de barco, não há som melhor. Ouça e sinta o beat. Apesar de agora "datado", este som vai deixar voce leve como um solo de Herbie e quente como uma batida de Art. Vai por mim.
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